December 31, 2004

Então seu filho pertence ao crime organizado?

Mais detalhes amanhã, se o engarrafamento permitir.

Posted by mozart at 11:23 AM

Triste 00, Feliz 05!

Saudita é executado e crucificado por assassinar a mãe

Riad, 31 dez (EFE) - Um saudita foi executado e crucificado nesta sexta-feira depois que um tribunal islâmico o condenou à morte por haver assassinado sua mãe, informa hoje um comunicado do Ministério do Interior.

Magued Bin Yahiya "matou a mãe, roubou suas jóias e jogou o corpo em um edifício em construção antes de queimá-lo", diz a nota, que não especifica datas.

O veredicto contra Yahiya foi ratificado neste mês pelo Tribunal de Cassação e pelo Conselho Supremo de Justiça do reino, onde se aplica com rigor a "Sharia" ou Lei Islâmica.

Mas crucificação é fácil, meus caros, duro é ler por aí sobre a "geração 00". Quanta jericada; zero é o QI de certas pessoas. Como velhos vícios não podem ser curados, porém, se vc é escritor, o jeito é esperar até 2010 para lançar alguma coisa -- e vê se aproveita pra dar uma melhorada ou desistir de vez.

Posted by mozart at 11:10 AM

Nada feito, só nos resta renovar as esperanças

Fim de ano; e a julgar pelas piadas que ouvi ainda há meia hora, parece que o pior ficou pro final -- se bem que o filme da virada costuma ser um tiro no fígado.

Sim, eu poderia ser irônico quanto ao fato de todo ano começar e terminar da mesma forma, porém não há de ser nada. Comerei minhas lentilhas com estusiasmo, e receberei de bom grado as manifestações de muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender. Infelizmente não desejarei o mesmo a ninguém, pois:
(i) não funciona;
(ii) quem tem não valoriza;
(iii) a quem não tem, lembrar pra quê?

E desde que pedi um dinheiro emprestado ao mafioso local, detesto toda sorte de mensagens, de modo que alteremos o rumo desta prosa.

Hmmm... propaganda. Sim, há vários comerciais feitos especialmente para esta época, então falemos sobre propaganda, tema jamais antes discutido.

Para a criança, propaganda é entretenimento; para o jovem, um grande mal; a mim, é uma sineta mental obrigando o sistema motor a trocar de canal.

Talvez haja propagandas boas e propagandas ruins. Mas alguém dirá que as boas não vendem nada porque são ruins, e as ruins vendem muito, porque são boas. Então prefiro me manter fora de águas tão revoltas.

Prefiro, também, porque já se fala demais a respeito de algo tão chato e banal. Além disso, há revistas, programas e até cursos universitários a quem se interessar.

Claro que não deveria, portanto, falar de cinema, teatro, música, literatura, arte, economia nem filosofia, mas quem me acompanha sabe que nunca primei pela coerência. Assim sendo, um bom novo 1968 a todos: saúde, dinheiro, paz, e te pego na saída.

Posted by mozart at 2:13 AM

December 29, 2004

Aliens

Estou assombrado; descobri há pouco que meu blog é um portal mágico para o planeta Bizarro. Ou que pelo menos alguns comentaristas vieram de lá, haja vista o conceito de cult que pregam ser absolutamente distinto do que ensinaram em meu planeta natal.

À parte isso, e Men in Black serem dois filmões para quem deseje paródias sessão da tarde, o caderno menas! deste final de semana apresentou depoimentos (trechos) de diretores mui celebrados, mesclados de sensatez e bobagem.

Eu poderia dar o link, porém nem todos possuem assinatura da Folha ou do UOL, então mando às favas o copyright e uso a extended entry para postar a bagaça.

Lições de cinema

GODARD - Perversões do autor
ALMODÓVAR - A técnica é uma ilusão
LYNCH - Som e sentido
BERTOLUCCI - Câmera inquieta
CRONENBERG - Escrita é arte maior
VON TRIER - A busca da emoção
SCORSESE - O roteiro é vital
WOO - Filme sem gramática

(i) Jean-Luc GODARD: Perversões do autor

A perversão da noção de autor é incontestavelmente uma herança negativa da "nouvelle vague". Antes, aqueles que eram considerados autores dos filmes eram os roteiristas, uma tradição que vinha da literatura. Nos créditos, os nomes dos diretores vinham em último lugar, a não ser para pessoas como [John] Ford ou [Frank] Capra, mas unicamente porque eles também eram produtores. Mas nós dissemos: "Não, a direção é o fato fundador e verdadeiramente criador do filme. E Hitchcock [1899-1980] é autor tanto quanto Balzac [1799-1850]". A partir daí desenvolvemos a política dos autores, que consistia em apoiar o autor, mesmo quando ele era fraco.

Apoiávamos mais facilmente um mal filme de autor que um bom filme de alguém que não o era. E depois o conceito se inverteu, se transformou em um culto ao autor, e não a seu trabalho. Então todo mundo se tornou autor, e, hoje, quase que o cenarista pede para ser reconhecido como autor dos pregos que colocou no cenário. O termo não quer dizer mais nada, portanto. [...] Acredito que, quando lançamos a política dos autores, nos enganamos ao privilegiar a palavra "autor", enquanto na verdade é a palavra "político" que era preciso ressaltar.
Pois o verdadeiro objetivo desse conceito não era demonstrar quem faz a direção, mas, principalmente, explicar o que faz a direção. [...]
Eu acredito que existem duas maneiras de enfrentar um filme. A primeira é a das pessoas que fazem cinema mais clássico e tradicional, mas que vão até o fim. O que entendo por isso é que elas começam tendo vontade, a qual se transforma pouco a pouco em idéia.
Elas fazem anotações, começam a ver os cenários aparecendo em sua cabeça, depois imagens, depois uma narrativa, uma construção etc. A partir de todos esses elementos, passam a preparar o filme da melhor forma possível, um pouco do mesmo modo que um arquiteto prepara as plantas de uma casa.

Depois há a filmagem, que consiste em realizar o melhor possível e da maneira mais agradável o que foi desenhado nas plantas. E finalmente há a montagem, o último momento de possibilidade de invenção e de semiliberdade. Essa é uma abordagem. A minha é diferente. Eu começo tendo uma espécie de sentimento abstrato, de atração por alguma coisa sem compreendê-la bem, e o fato de filmá-la faz com que eu a verifique, pronto para recuar ou mudar enormemente as coisas. Somente no fim eu posso efetivamente verificar se minha intuição estava certa e, é claro, geralmente é tarde demais.

Eu diria que é um pouco como na pintura moderna, na qual se faz uma tentativa, depois se apaga e recomeça. É preciso explicar que eu sempre parti da possibilidade real de fazer o filme, quer dizer, o projeto é montado com um produtor antes mesmo que eu tenha escrito o roteiro.

Então, quando tudo isso está pronto, é preciso ir em frente. É um pouco como uma história de amor. A gente fica junto, decide se casar e depois não é mais possível recuar. É preciso levantar de manhã, fazer as contas, se perguntar como vamos viver, trabalhar... Há uma obrigação que não podemos evitar. [...]

Existem dois níveis de leitura em um filme: o visível e o invisível. O que você coloca diante da câmera é o visível. E, se houver apenas isso, é um telefilme que você faz. Os verdadeiros filmes, para mim, são aqueles em que existe uma espécie de invisível, que só pode ser visto através daquele visível e unicamente porque ele é agenciado ou orientado assim.

Muitos realizadores hoje se contentam em filmar o visível. Deveriam se fazer mais perguntas. Ou talvez sejam os críticos que deveriam fazê-las. Mas não depois que os filmes estão prontos, como acontece hoje. Não, aí é tarde demais, é preciso fazê-las antes. E é preciso fazê-las como um juiz que interroga um suposto culpado. [...]
Eu nunca aderi ao conceito dos atores que conseguem fazer acreditar que são o personagem. O exemplo definitivo é sem dúvida a peça de Tchekov na qual a atriz faz crer que é uma gaivota. Muitas pessoas acreditam, eu não. Eu nunca dirigi realmente os atores. Com Anna (Karina) o problema nem mesmo se colocava, pois ela mesma se dirigia. Meus comentários muitas vezes se reduziam a "mais forte", "mais devagar" ou, "se você não entendeu, então pelo menos diga como eu teria entendido". Em geral, deixo os atores fazerem sua própria criação. É claro que o fazem sozinhos. Meu trabalho se restringe então a lhes dar boas condições: um bom enquadramento, uma boa profundidade de campo etc.

Não consigo fazer o enorme trabalho de direção de atores que se pode encontrar em [Ingmar] Bergman [1918], [George] Cukor [1899-1983] ou [Jean] Renoir [1894-1979], quando podemos ver que eles amavam os atores como um pintor ama seus modelos.


(ii) Pedro ALMODÓVAR: A técnica é uma ilusão

O problema da geração mais nova [de cineastas] com relação às precedentes é o fato de ter crescido em uma cultura na qual a imagem se tornou onipresente e onipotente. Banharam-se desde pequenos no universo do videoclipe e da publicidade, que não são formatos que me atraíam, pessoalmente, mas cuja riqueza visual é inegável. E por isso os cineastas estreantes têm uma cultura e um domínio de imagem muito superiores aos que seus predecessores tinham 20 anos atrás.

Mas, em razão disso, eles também abordam o cinema de uma forma que privilegia a forma ao conteúdo, e creio que chega um momento em que isso os atrapalha. De fato, creio que a técnica é uma ilusão. [...]
Há cineastas que dizem imaginar o filme inteiro em suas cabeças, antecipadamente, mas mesmo assim há muitas coisas que não se revelam, a não ser no momento, quando todos os elementos de uma cena estão montados no local de filmagem.

O primeiro exemplo que me ocorre é o do acidente de carro em "Tudo sobre Minha Mãe" [1999]. No começo, eu planejava filmar com uma grua e terminar com um longo "travelling", acompanhando a mãe em sua corrida pela rua, sob a chuva, na direção do filho agonizante. Mas acabei por repensar e disse a mim mesmo que o "travelling" era parecido com um plano que eu já utilizara no final de "A Lei do Desejo" [1987]. E por isso decidi, de improviso, naquele momento, rodar a cena de maneira completamente diferente, ou seja, como uma tomada subjetiva. A câmera filma do ponto de vista do rapaz, passa por baixo do carro e se perde no sol, e enfim ele vê a mãe correndo em sua direção.

No final, terminou sendo sem dúvida um dos planos mais fortes do filme. No entanto não foi de maneira nenhuma premeditado. Tudo surgiu de decisões intuitivas, improvisadas ou acidentais, que são a magia da filmagem. [...]

O fato é que não tenho fetiches ou manias, na hora de rodar uma cena. Mas, nos meus dois últimos filmes, surgiram detalhes muito peculiares. Para começar, usei um novo tipo de lente, chamadas "primes", que me satisfizeram muito, pela densidade que dão às cores e, acima de tudo -o que pode surpreender- pela textura que emprestam aos objetos que não ficam em foco, no segundo plano de certas imagens.

Além disso, e isso é o mais importante, utilizei basicamente o modo "scope", com um formato de imagem muito mais alongado. O "scope" não é um formato evidente e oferece certos problemas, especialmente no caso dos planos próximos. Para filmar um close-up nesse formato, é preciso fechar nos rostos, e ocasionalmente isso se torna perigoso, porque não há como mentir. Isso obriga a encarar a questão quanto ao que se quer realmente dizer com o close-up. Os atores precisam ser bons, e é preciso que haja algo de verdadeiro naquilo que interpretam -ou a cena descamba.

Digo isso, mas poderia facilmente oferecer um exemplo inverso daquilo que estou dizendo: [o cineasta italiano] Sergio Leone [1929-1989]. A maneira pela qual ele filmava close-ups extremamente próximos em seus westerns era completamente artificial. Lamento muito, mas Charles Bronson [1922-2003], para mim, é um ator que nada exprime. E a intensidade que deriva dos close-ups de seu rosto durante as cenas de duelo é completamente falsa. No entanto sou obrigado a reconhecer que o público adora o estilo.

O exemplo oposto é David Lynch. No caso dele, embora filme certos objetos em close-up, consegue dotar as imagens de um verdadeiro poder de sugestão.

Os planos não são só impecáveis do ponto de vista estético mas repletos de mistério. A abordagem dele corresponde à minha, mas eu sou muito mais fascinado pelos atores, adoro filmar rostos, enquanto Lynch, que começou nas artes plásticas, visivelmente se interessa mais pelos objetos.


(iii) David LYNCH: Som e sentido

Se alguém me perguntasse quais são os filmes que, para mim, representam os exemplos mais brilhantes do que se pode realizar como cineasta, creio que eu escolheria quatro. Para começar, "Oito e Meio" [1963], para mostrar como Fellini foi capaz de obter no cinema o mesmo resultado que certos artistas conseguem na pintura abstrata, ou seja, conseguir comunicar uma emoção sem jamais falar dela ou mostrá-la diretamente, sem jamais explicá-la, quase como se fosse magia. A seguir, eu exibiria "Crepúsculo dos Deuses" [1950], um pouco pelas mesmas razões.

Porque, se o estilo de Billy Wilder não se compara ao de Fellini, ele obtém resultado mais ou menos similar, ao criar uma espécie de ambiente abstrato, menos por magia pura do que por toda espécie de invenção estilística e técnica. A Hollywood que ele nos descreve naquele filme sem dúvida jamais existiu, mas ele nos alcança e faz com que acreditemos plenamente e nos faz penetrar nela como num sonho.

Depois disso, mostraria "As Férias de M. Hulot" [1953], pela visão incrível que [Jacques] Tati tinha da sociedade. Pode-se ver, em seus filmes, como era profundo o conhecimento e o verdadeiro amor que sentia pelo ser humano, e há muito a aprender com seu exemplo.
Por fim, mostraria "Janela Indiscreta" [1954], em razão da maneira brilhante pela qual [Alfred] Hitchcock conseguiu criar -ou recriar- um verdadeiro universo no pátio daquele edifício. James Stewart não sai de sua cadeira o filme inteiro e, apesar disso, testemunha, de seu ponto de vista, uma incrível história de morte. Esse filme, a arte de condensar algo enorme e de fazer com que caiba na película, que parece minúscula, só pode funcionar por se basear em um completo domínio da imagem. [...]

Descobri o poder do som desde o começo. Trabalhei com "pintura viva", um projetor passando um filme em "loop" e o som de uma sirene rodando igualmente em "loop" por trás da cena. Desde então, sempre considerei que o som representava metade da eficácia de um filme. Temos a imagem de um lado e o som de outro, e, se o diretor sabe como aliá-los corretamente, o conjunto é muito mais forte que a soma das partes. A imagem repousa sobre toda espécie de elementos frágeis e voláteis (a luz, o enquadramento, a interpretação dos atores etc.), mas o som é uma espécie de entidade sólida e possante, que "habita" fisicamente o filme, que se instala nele como alguém se instala em uma casa.
É claro que é preciso encontrar o melhor som, o que implica muita discussão, muitos testes e muitas experiências. [...]

Cada cineasta tem hábitos ou pendores característicos, no plano técnico. Por exemplo, adoro brincar com contrastes, filmar com lentes que me dão grande amplitude de campo e ao mesmo tempo adoro close-ups muito próximos, como os fósforos em "Coração Selvagem" [1990].

Por outro lado, tenho um método muito peculiar de realizar "travellings". É um método que experimentei em "Eraserhead" [1977] e que voltei a utilizar em todos os meus trabalhos posteriores. Consiste em carregar a dolly da câmera usada no "travelling" com pesos, sacos de areia, até que pareça pesar três toneladas. São necessárias muitas pessoas para empurrá-la, e ela inicia seu percurso muito lentamente, como uma locomotiva saindo da estação.

Mas, passado um momento, a dolly ganha velocidade e, depois disso, passa a ser necessário empregar muita energia para impedir que ela corra demais. É quase necessário que alguém se jogue à sua frente para detê-la. O interessante desse método é que dá ao "travelling" uma graça e uma fluidez notáveis. Creio que o melhor "travelling" dos meus filmes esteja em "O Homem Elefante" [1980], quando Anthony Hopkins descobre pela primeira vez o homem elefante e se aproxima de seu rosto para ver sua reação.

Tecnicamente, foi uma tomada muito bem realizada, mas, além disso, no exato momento em que a câmera se detém em seu rosto, Anthony Hopkins deixa escapar uma lágrima. Isso não estava previsto. É um desses momentos mágicos que acontecem. Foi a primeira tomada, mas, após ver o que acontecera, eu nem mesmo pedi uma segunda.


(iv) Bernardo BERTOLUCCI: Câmera inquieta

Não aprendi a dirigir filmes de modo teórico, e a noção de "gramática" cinematográfica nada significa para mim. E, no entanto, dada minha maneira de pensar, tendo a dizer que, se existe gramática, é preciso transgredi-la. Porque é dessa maneira que a linguagem cinematográfica evolui.

Quando Godard filmou "Acossado" [1959], a gramática dele era "le jump cut" [transição imediata entre uma imagem e outra] no poder. E o extraordinário é que, caso você assista a um dos últimos filmes de John Ford [1895-1973] -"Sete Mulheres" [1966]- você se dá conta de que o cineasta, um dos clássicos do cinema hollywoodiano, decerto assistiu a "Acossado" e adotou o "jump cut" como método, coisa que dez anos antes pareceria inconcebível. Eu, desde sempre, abordo cada plano como se fosse o último, como se devesse aposentar a câmera depois de cada tomada.

Tenho sempre essa sensação de roubar cada uma de minhas tomadas, e nesse estado de espírito é impossível refletir em termos de "gramática" ou de lógica. Hoje em dia, aliás, não preparo nada com antecedência, não faço decupagem nenhuma. Geralmente, tento rever antes de dormir os planos que rodarei no estúdio na manhã seguinte. [...]

A comunicação é evidentemente um fator essencial ao bom funcionamento de uma equipe de filmagem. Mas creio que a chave para uma boa comunicação precisa ser estabelecida antes do começo da filmagem; fazê-la no estúdio é tarde demais. Por exemplo, quando decidi filmar "O Último Tango em Paris" [1987], convidei Vittorio Storraro (diretor de câmera de todos os filmes de Bertolucci até "O Pequeno Buda" [1993]) para a exposição de Francis Bacon [1909-92] no Grand Palais [em Paris], e lhe mostrei as telas, dizendo que aquela era a espécie de coisa em que queria me inspirar.

E, se vocês prestarem atenção ao resultado final, há luzes alaranjadas no filme que são diretamente influenciadas por Bacon. Depois, convidei Marlon Brando [1924-2004] para ir à mesma exposição e lhe mostrei a tela que se vê no começo do filme, nos títulos de abertura. Era um retrato que, observado no começo, parecia bastante figurativo.
Mas, depois de fixar o olhar no quadro por um bom tempo, a tela perdia o naturalismo completamente e se tornava a expressão do que se passa nas tripas -ou no inconsciente- do autor. Perguntei a Marlon se ele tinha prestado atenção ao retrato e disse que queria que ele criasse a mesma massa de dor. E foi quase só essa -ou pelo menos foi essa a principal- instrução que lhe dei para o filme. [...]

É a câmera que dita minha maneira de dirigir, porque ela se movimenta o tempo todo -e percebo que, nos meus filmes recentes, ela se move ainda mais-, quase como se entrasse em cena, na forma de um personagem invisível do filme. Sou incapaz de resistir à tentação de fazer a câmera se mover. Creio que isso surge da necessidade de forjar uma relação sensual com os personagens, na esperança de que isso se transforme em uma relação sensual entre os personagens. [...] Quase nunca uso o zoom. Não sei o motivo, mas creio que haja alguma coisa de falso nesse movimento. [...]

Aparentemente, um filme consiste em transformar uma idéia em imagem. Mas, de um modo mais secreto, para mim ele sempre foi uma maneira de explorar qualquer coisa de mais pessoal e abstrato. E meus filmes terminam sempre sendo muito diferentes do que eu imaginava, no começo do projeto. É um processo evolutivo, assim. [...]

Houve um momento em que considerava que a contradição era a base de tudo, o motor de cada filme. E foi assim que filmei "1900" [1976], filme sobre o nascimento do socialismo, um filme socialista, por isso, em essência, mas financiado por dólares norte-americanos. Um filme no qual eu misturava atores de Hollywood e camponeses da região do rio Pó [na Itália], que jamais haviam visto uma câmera. Isso me divertiu bastante.

É preciso lembrar que, quando comecei a fazer cinema, nos anos 60, ainda existia aquilo que os cineastas designavam como "a questão Bazin", ou seja, "o que é o cinema?". Era uma espécie de interrogação constante que terminava por se tornar um pouco o tema de cada filme.
Isso acabou porque as coisas mudaram. Mas tenho a impressão de que o cinema está a ponto de sofrer tamanha transformação, de perder a tal ponto sua unicidade, que a questão Bazin voltará a ser atual, e será preciso recomeçar a perguntar, uma vez mais, o que é o cinema.


(v) David CRONENBERG Escrita é arte maior

Pode parecer chocante, mas em algum lugar acredito que continuo considerando a literatura uma arte superior ao cinema. É provavelmente por esnobismo ou porque, como disse antes, sempre pensei que minha carreira "séria" seria escrever romances e que o cinema seria apenas um hobby, uma coisa que eu faria paralelamente. Ao mesmo tempo, quando conheci Salman Rushdie [escritor britânico, autor de "Versos Satânicos"], que considero um dos autores mais ricos e mais intensos de sua geração, pedi sua opinião.

Isso me parecia ainda mais interessante porque ele cresceu na Índia, onde o cinema tem uma importância cultural enorme. Então lhe perguntei se ele considerava a literatura uma arte superior ao cinema, e ele me olhou como se eu fosse louco. Ele disse que pensava exatamente o contrário e que estaria disposto a tudo para poder realizar um filme. [...]

Na primeira vez em que me encontrei em um set de filmagem, lembro-me de ter ficado aterrorizado com a idéia de espaço, porque, se a escrita é um universo bidimensional, o cinema é tridimensional.
Não falo da imagem, é claro, mas do set. É um universo onde é preciso gerar não apenas o espaço mas também a relação das pessoas e dos objetos nesse espaço e organizar tudo para que seja eficaz e para que, além disso, tenha sentido.

Pode parecer abstrato dito assim, mas, quando estamos diante do problema, acredite-me, é muito concreto. Pois a câmera ocupa seu próprio lugar nesse espaço, ela é como mais um ator.
E em muitos filmes de estréia eu noto o mesmo defeito: a incapacidade de dançar com a câmera, de traduzir corretamente essa espécie de balé gigantesco formado por todos os elementos de um set de filmagem. Por outro lado, o que é formidável é que a maioria das decisões a serem tomadas vêm de maneira completamente instintiva. [...]

Quanto mais filmes faço, mais sinto vontade de rigor e purismo ou de minimalismo. É por isso que um filme como "Exiztenz" [1999] é filmado quase totalmente com uma única lente, no caso a de 27 milímetros. Quero ser simples e direto, à maneira de um [Robert] Bresson [1901-99] e, por outro lado, o oposto completo de um Brian de Palma [1940], que vai constantemente buscar uma maior manipulação da imagem e uma maior complexidade visual.

Não critico o que ele faz, mas é outra abordagem. Também nunca utilizo o zoom, porque para mim é somente um brinquedo ótico. Então, quando movimentamos a câmera, a mudança de perspectiva o projeta fisicamente no espaço do filme. Novamente, o zoom tem alguma coisa de bidimensional que não corresponde à minha idéia de cinema.


(vi) Lars VON TRIER: A busca da emoção

O que me parece primordial é fazer um filme para si mesmo, e não para o público. Se você começa a pensar no público, certamente vai se enganar e fracassar. Para fazer filmes, uma parte de você deve evidentemente ter vontade de se comunicar com os outros, mas essa não deve ser a motivação principal, senão o filme não vai funcionar. Você deve fazer o filme que você quer ver, e não aquele que acredita que o público quer ver. É uma armadilha na qual vejo muitos cineastas caírem. Isso não significa que não se podem fazer filmes comerciais. Significa somente que esses filmes devem agradar a você antes de agradar ao público. Um cineasta como Steven Spielberg [1947] faz filmes muito comerciais, mas estou convencido de que ele os faz antes de tudo porque tem vontade de vê-los. E é por isso que eles funcionam. [...]

Alguns anos atrás, todo mundo lhe diria que eu era o pior diretor de atores que já existiu. E, sem dúvida, eles teriam razão. No entanto eu diria em minha defesa que o estilo de filme que eu fazia exigia isso. Hoje mudei um pouco de opinião. Em uma filmagem como a de "Dogville" [2003], tenho a impressão de ser um anfitrião, e todos os atores são meus convidados. De repente, isso me cria outras preocupações. Porque, quando vejo que um dos meus "convidados" não se diverte na festa, sinto-me culpado e não consigo trabalhar.

Quero que todo mundo se sinta bem em meu set. Quero que meus atores não sintam nenhuma pressão. Cabe a mim absorver toda a pressão, a fim de criar um clima no qual possa se estabelecer confiança. Pois, embora seja um clichê, a confiança é o fator vital no trabalho com um ator. É verdade que no meu caso minha reputação ajuda muito. Como todo mundo sabe que faço coisas um pouco loucas, os atores que aceitam trabalhar comigo o fazem com conhecimento de causa. Em geral estão dispostos a tudo.

E o que foi formidável com Nicole Kidman, por exemplo, é que ela sempre aceitou experimentar muitas coisas meio malucas que não estavam previstas. E acredito que é o maior sacrifício que se pode pedir a um ator: assumir o risco de se ridicularizar pelo bem do projeto. [...]

Não faço filmes para exprimir idéias. Entendo que se poderia pensar isso vendo meus primeiros filmes, porque eles têm algo um um pouco frio e quase matemático. Mas, mesmo na época, acreditava que no fundo eu já era o mesmo que hoje. Essa busca da emoção sempre orientou meu trabalho, e, se meus últimos filmes podem parecer mais fortes e mais tocantes que os primeiros, é sem dúvida só porque, como pessoa, me tornei mais aberto às emoções.


(vii) Martin SCORSESE: O roteiro é vital

Mesmo que corra o risco dizer o óbvio, afirmo que o dever de um cineasta é saber do que fala. No mínimo, creio que deva conhecer os sentimentos e emoções que tenta comunicar ao público. Isso não o impede de usar recursos mais exploratórios mas apenas, acredito, na superfície, ou seja, no nível do contexto da história.

Um filme como "A Era da Inocência" [1993], por exemplo, pode parecer muito distante do meu arrazoado, porque jamais vivi em alta sociedade, e muito menos no século passado. Mas o que fiz, nesse filme, foi tomar sentimentos que eu conhecia e transpô-los de volta para um universo que eu não conhecia, mas me intrigava, a fim de estudá-los de maneira quase antropológica, ou seja, analisando de que maneira as regras e convenções da sociedade daquela época poderiam influenciar e afetar esses sentimentos.

Não importa qual seja a situação, acredito que um diretor deva saber do que fala, e saber aonde vai. A idéia de cineasta que descobre o filme ao fazê-lo, não creio que seja verdade. Mesmo que Fellini tenha sempre reivindicado que seus filmes eram todos improvisados, estou certo de que ele tinha no mínimo uma idéia muito precisa do que desejava realizar.

A única situação de improviso visual que concebo é na filmagem de cenas suplementares, que não constam do roteiro e não são importantes ou indispensáveis para o filme. Nesse caso, me sinto um pouco mais livre. Mas, mesmo assim, inventar um filme feito desses pedaços, ou seja, filmar sem roteiro, me parece inconcebível. O roteiro é vital. [...]

Na época de "A Última Tentação de Cristo" [1988] e "A Cor do Dinheiro" [1986], eu lecionava cinema nas universidades Columbia e de Nova York ou, mais exatamente, eu conversava com os estudantes que estavam realizando seus filmes. Em termos gerais, o maior problema dos projetos deles fica no nível que costumo designar como "intenção", ou seja, aquilo que o cineasta tenta comunicar por intermédio de seu filme. Há diversos fatores que podem tornar esse problema aparente, mas creio que o mais evidente seja o da colocação da câmera.

Os estudantes muitas vezes não conseguiam responder à pergunta fundamental para todo cineasta: onde colocar a câmera para permitir que o plano mostre o que deve mostrar? E não simplesmente o plano em questão, mas aquele que o sucederá e aquele que o precedeu, igualmente, e como cada um dos planos, quando montado em companhia dos outros, permitirá finalmente exprimir a idéia que o cineasta tem em mente.

Pode se tratar de uma idéia puramente física -um homem entra em um aposento e se senta em um sofá- ou de algo mais temático, ou seja, uma reflexão filosófica ou uma observação psicológica. Mas em todos os casos retornamos invariavelmente ao mesmo ponto de partida: onde colocar a câmera para que se possa dizer o que é preciso ser dito?
Pode ocorrer, claro, que o problema de muitos estudantes e de muitos jovens cineastas seja exatamente o fato de que eles não têm nada a dizer. E é por isso que seus filmes acabam sendo obscuros demais, convencionais demais e orientados demais ao mercado comercial [...].

Certos cineastas faziam seus filmes para o público. Outros, como Hitchcock ou Spielberg, fazem-nos ao mesmo tempo para eles e para o público. Hitchcock tinha perfeito conhecimento do público, sabia exatamente como seduzi-lo e manipulá-lo. Mas, por trás de tudo, ele tinha uma filosofia e uma psicologia tão fortes que, na verdade, o que fazia era disfarçar filmes muito pessoais em filmes de suspense. Eu creio que faço meus filmes para mim mesmo, sem deixar de saber que eles terão um público, mas sem tentar antever qual será a reação do público, que forma a audiência tomará. [...]


(viii) John WOO: Filme sem gramática

Não conheço nenhuma regra, nenhuma verdadeira "gramática" do cinema. Quando preparo uma cena, não digo "oh, é preciso filmá-la em grande plano" ou "oh, isso é um grande plano". Prefiro filmar de várias distâncias e tomar minha decisão final na montagem, porque é ao mesmo tempo o momento em que melhor consigo ter um espírito de síntese e aquele em que o filme começa realmente a ganhar vida.

Portanto, não hesito em filmar cada cena com várias câmeras (já tive até 15 câmeras para cenas de ação especialmente complexas) e até rodar algumas câmeras em velocidades diferentes (minha velocidade preferida é de 512 imagens por segundo, ou seja, 20 vezes mais lenta que a normal). O motivo dessa desaceleração é que, quando descubro na montagem um momento especialmente forte, do ponto de vista dramático ou emocional, gosto de fazê-lo durar o maior tempo possível. Portanto, filmo sob vários ângulos ao mesmo tempo, mas pode acontecer que no final o desempenho do ator seja tão formidável que eu decida utilizar apenas o grande plano para a cena inteira e jogar fora todo o resto. [...]

Já se disse que os estúdios de Hong Kong são muito duros, e é verdade, mas unicamente porque eles são obcecados pelo aspecto comercial dos filmes. Se você tiver um fracasso de bilheteria, eles se livram de você com uma rapidez assustadora.

Por outro lado, enquanto funcionar, eles lhe dão um controle criativo total na filmagem. Nunca mostrei meus copiões aos produtores, quando trabalhava em Hong Kong. Eu filmava e lhes entregava o produto acabado, muitas vezes com atraso e tendo ultrapassado o orçamento. Mas eles só se queixavam se o filme não desse dinheiro.

Em Hollywood fiquei francamente surpreso de ver a que ponto o processo criativo é complexo e político. Há muitas pessoas envolvidas que querem impor suas idéias, reuniões demais e não se assumem riscos suficientes. É preciso ter uma energia incrível para ainda ter vontade de filmar quando finalmente lhe dão a aprovação. O problema é que eu trabalho enormemente pelo instinto. Gosto de criar no set, e não antes. [...]

Para trabalhar bem com atores, acredito que é preciso estar um pouco apaixonado por eles. Isso é uma coisa que compreendi muito cedo, assistindo a "A Noite Americana" [1973], de [François] Truffaut [1932-84]. Era fascinante ver a que ponto ele amava seus atores. Para mim é a mesma coisa. Por isso insisto em passar muito tempo com eles antes da filmagem e discuto muito para descobrir quem eles são e o que têm na cabeça. Faço-os falar sobre seu modo de vida, seus sonhos, aquilo de que gostam e o que detestam

Posted by mozart at 8:04 AM

December 28, 2004

Ah, como era grande

Segundo Plutarco, Alexandre era bastante comedido nos prazeres sexuais. Basta folhear as vidas paralelas pra saber disso, está lá na página 14 do primeiro volume; logo antes de se mencionar a reconstrução de Estagira em razão dos prestimosos serviços de Aristóteles na educação do caboclo. Ou será que não basta?

Lamentavelmente, a história não é escrita por vencedores ou perdedores, mas pelos idiotas. E mesmo a leitura mais desatenta indicará que a probabilidade de uma passagem de Plutarco estar incorreta é mais ou menos de 3 pra 4.

Salvam a masculinidade do nosso herói apenas a descrição totalmente bichola de sua estátua -- com a cabeça pendente e que tais --, e afirmações estranhíssimas sobre o perfume, o aroma, o buquê originários de seu hálito e suor.

Posted by mozart at 3:42 PM

December 27, 2004

Be a Guest Star

Entediado, sinto-me um Bernardo Soares. Deprimido, mister Udall. E esta incapacidade para me estressar (sobretudo com a letra e) deriva de a natureza me ter privado de quaisquer referências apresentáveis -- o personagem Allen é anterior à expressão.

Primeira constatação metafísica: o grande empecilho à escrita de um livro de sucesso, que me tornasse multimilionário, é a crônica falta de boas companhias no Brasil.

Claro que a afirmação é falsa e simplista. Assim são outras coisas, e que também esta seja muitas outras, não me parece a princípio problema algum. O problema é que ser brasileiro, infelizmente, é nunca estar sozinho.

E a frescura dos astros e estrelas. Suplício bem maior que o de enfrentar as lentes dos paparazzi, é ser convidado destes shows de horrores da tevê. E pior ainda é saber que no Brasil não há Simpsons*, e a glória suprema seria fazer ponta em alguma novela por aí.

(*) até vieram ao Brasil, todavia foram enxotados; vide o célebre episódio em que aprendemos nosso dinheiro ser gay -- sempre desconfiei daquelas fotos de bichinhos.

Posted by mozart at 3:49 PM

Passei colando na prova de Ética

Não, mas eu voltaria à universidade só pra fazer isso.

A última coisa que fiz na faculdade foram escavações. Eu já estava em meu terceiro curso, e toda a lógica que aprendera no Instituto de Matemática indicava que a USP fora construída sobre um cemitério indígena. Natural Born Scientist, fui tirar a prova.

Achei apenas uma tampinha de cerveja e uma apostila de laboratório -- a qual me pareceu altamente primitiva. Reconstruí dezessete civilizações a partir de tais fósseis, e concluí pesaroso que nada de melhor sairia dali. Foi quando resolvi ir embora; ou talvez tenha sido logo depois de mostrarem a conta...

Às vezes me pego pensando em como seria a vida se continuasse na faculdade. Acho que as escavações teriam provado coisas inacreditáveis. E por que não procuram o elo perdido nas faculdades de filosofia ou hotelaria, é corporativismo que não quero entender.

Posted by mozart at 2:10 AM

December 26, 2004

Coisas que só acontecem com o botafogo

- Garrincha

- Bebeto de Freitas

- Vitórias sobre o Santos

- Destruição do mundo numa sexta-feira 13

Posted by mozart at 3:37 PM

O Desencontro Marcado

Contemplo o título como se encerrasse tantas verdades. Talvez o comente algum dia; talvez na mensagem de final de ano...


It was a teenage wedding, and the old folks wished 'em well
You could see that Pierre did truly love the mademoiselle
And now the young monsieur and madame have rung the chapel bell
"C'est la vie," say the old folks, "It goes to show you never can tell"

They furnished off an apartment with a two room Roebuck sale
The coolerator was crammed with TV dinners and ginger ale
But when Pierre found work, the little money comin' worked out well
"C'est la vie," say the old folks, "It goes to show you never can tell"

They had a hi-fi phono, boy, did they let it blast
Seven hundred little records, all blues, rock, rhythm and jazz
But when the sun went down, the volume went down as well
"C'est la vie," say the old folks, "It goes to show you never can tell"

They bought a souped up jitney, 'twas a cherry red '53
They drove it down to New Orleans to celebrate their anniversary
It was there that Pierre was wedded to the lovely mademoiselle
"C'est la vie," say the old folks, "It goes to show you never can tell"

They had a teenage wedding, and the old folks wished them well
You could see that Pierre did truly love the mademoiselle
And now the young monsieur and madame have rung the chapel bell
"C'est la vie," say the old folks, "It goes to show you never can tell"

Posted by mozart at 3:15 AM

Suicídio e literatura

Pesquisando sobre suicidas. Canso de encontrar coisas assim:

"If you are actively suicidal, in crisis, call 911 immediately. Your life is worth saving and you are here for a reason. You are a precious, wonderful, and beautiful human being. It is ok that you may not know that now. It is none the less true.

If you are not actively suicidal but need support, I encourage you to call your local suicide/crisis hotline or your Dr. or therapist. Perhaps a close friend you can trust. It may be better to call a local hotline as they may be familiar with your local resources."

Quanta idiotice; dá vontade de suicidar quem escreveu. Aliás, cedo ou tarde terei de ligar para alguma dessas linhas para suicidas, a fim de saber exatamente que tipo de bobagens se diz para os grandes suicidas que a utilizem...

E, ah, sim, parece piada: Bipolar Disorder Today.

Posted by mozart at 2:42 AM

Vaidade das Vaidades

Nada é pior do que mulher sem vaidade.

Mas não é sobre isso que desejo falar, e sim sobre os polemistas. O termo é quase sempre mal aplicado, o que provavelmente diz algo sobre quem o utilize -- desde pequeno ouço falar que quando um não quer, dois não brigam, logo...

Mas, sobre polêmicas*, há somente duas formas capazes de afetarem outrem: as inteligentes e bem escritas, as claramente idiotas.

(*) que de forma alguma considero úteis, pois não creio na primazia da idéia, tampouco na dialética -- salvo por acaso, e quando aplicada a uma pessoa discutindo sozinha

As primeiras nos afetam porque notamos seu mui desagradável elemento de verdade -- que tentamos ignorar em seguida. As idiotas, muito mais comuns, porque vemos de cara se tratar de bobagem, e ficamos pensando "como alguém pode pensar isso, e ainda ter coragem de dizê-lo aos quatro ventos? não percebe que parece um completo imbecil?" E isso traz más recordações.

Há ainda um terceiro tipo de polêmica: aquilo que se escreveu apenas por considerar engraçado. Aí você relê e vê que tem algum sentido. Ou todo.

Posted by mozart at 2:16 AM

Feliz Natal

.* . * . * . * . * . *
.* . * (\ *** /) * . *
.* . * ( \(_)/ ) * . *
.* . * (_ /|\ _) * . *
.* . * . /___\ . * . *
.* . * . * . * . * . *

Enviam-me isso desejando um feliz natal. Deve ser ironia.

Poderia ser melhor o meu Natal. Seja com maior prodigalidade, seja saindo por aí colando durex na campainha dos vizinhos. Também poderia ser pior.

Um feliz ano novo ao P.C.Barreto, que sumiu há mais de semana, e não sei onde está -- provavelmente viajando ou sem PC. E também para o bom nephew, que deveria usar Linux para evitar chateações inúteis. E que Deus abençoe a todos, salvo o Tom Hanks, que continua participando de filmes horríveis, ou pelo menos bastante questionáveis.

Posted by mozart at 1:15 AM

December 25, 2004

Pulp Fiction

Falei de drogas porque, ao contrário do que aconselhei, aluguei Pulp Fiction este Natal. Ficaria melhor no Réveillon, mas era isso ou A Profecia III.

Minha irmã alugou Retratos da Vida; o caçula, Snatch; a caçula, Prenda-me se for capaz. Nossa fraternal tradição nos obriga a assistir a todos juntos.

Dos quatro filmes, apenas o meu era VHS.
Detesto DVDs, mas disso falo outro dia.

Posted by mozart at 2:49 PM

Just Do It

Um amigo começou a usar drogas porque as pessoas que participavam de campanhas contrárias pareciam totalmente idiotas, e ele não queria terminar daquele jeito.

Nunca abusou nem foi abusado, pois usa um laço no dedo anelar, e isso lhe é suficiente para lembrar do que Kant denominaria carinhosamente de "Majorante Empírico".

Há quem considere ex-drogados a melhor campanha contra as drogas. Estão certos. Mas eles não fazem efeito algum, pois se trata de gente retardada ou suicida, que consumia coisa pesada como se fora bolacha passatempo, rosquinha mirabel.

Minha certeza é de que a vida passe rápido, e as pessoas não saibam aproveitar.

Posted by mozart at 2:28 PM

Meu Computador, Minha Lixeira, Meus Valores

Semana passada eu achava que o melhor presente era ter saúde, mas agora que estou saudável reconsiderei todos os meus credos.

Na verdade, o melhor presente é ter dinheiro, muito dinheiro; porque saúde todo mundo perde um dia, mas o dinheiro, se bem aplicado, dura mil gerações.

Posted by mozart at 4:04 AM

Meu Computador, Minha Lixeira, Meu Livro

Aos poucos, meu livro toma forma. Estabeleci objetivos bem modestos: não quero revolucionar coisa nenhuma, não quero nem contar uma boa história; tudo que eu desejo é vender mais que a Bíblia. O lançamento não tem data certa, mas deve ser no irã ou na arábia saudita.

Posted by mozart at 4:00 AM

December 24, 2004

Claustrophobia

bases.jpg

Natal, tempo de bondade, desprendimento, e a tal ponto, que até pão velho esteja custando os olhos da cara. Nesta época em que nos empapuçamos de sentimentalismo questionável, os presenteio com a eterna sugestão: "Parenti, Serpenti". Não é o melhor filme do Monicelli, mas quebra um galhão todo final de ano.

Posted by mozart at 12:14 AM

December 23, 2004

Catilina vai ao Zoológico

Talvez seja a beleza um conceito pronto a múltiplas e inestéticas interpretações. E as salas de apartamentos três quartos decerto não constituem o apogeu da arquitetura, da engenharia ou do gênio humanos. Muito pelo contrário. Mas daí a pendurar pratos pintados, já é pedir demais da minha paciência.

Posted by mozart at 2:41 PM

Estereoscopia

Ilusões futuristas, muleta mórbida em que jamais me amparei, e por isso mesmo, digo em dissimulado orgulho, da qual não precisarei algures. Dissimulado, pois não me salvaram méritos próprios -- como se alguém os tivesse para tanto --, mas a crônica ineficiência de meu tempo.

Mas considerar minha infância, e talvez a de toda uma geração, estorvada ou diminuída devido a simulações vagabundas de 3D seria ignorar outras circunstâncias, de um comodismo intelectual debaixo das cobertas em manhã de inverno.

E injusto, pois se decerto não ofereceu o cinema o que prometera ao espectador, carros e balas voando monotonamente em sua direção, ao menos recebemos a revelação: não só o anticristo usa óculos azuis e vermelhos, como prometerá um futuro dionisíaco a preço de ocasião. E cobrará à vista.

Velho e cansado, noto livrarias com figuras desfocadas, revistas da turma da mônica tentando envesgar as crianças, satanicwares para download gratuito... Os sinais estão em toda parte, e agora há esses radares eletrônicos para nos multar.

Posted by mozart at 12:26 PM

December 22, 2004

Fair is foul, and foul is fair

Pensará o leitor que conto alguma preocupação em escarnecer da religião alheia. Porém religião é assunto ao qual sou indiferente. Sem dúvida que não deveria sê-lo, todavia sou, e daí se deriva facilmente o erro de Decartes.

Falei da lampadinha vermelha porque o assunto me ocorreu dia outro, e achei-o engraçado. Em que circunstâncias exatamente fui iluminado, não expresso de próprio punho, pois disse um poeta que pela boca morrem o peixe e Oscar Wilde -- e não sendo adepto destas correntes filosóficas, só me resta permanecer silente.

Também morre pela boca todo aquele que menciona a palavra sociedade. Discursos sem estilo. Nada encontrareis aqui que não seja artificial, e portanto naturalmente insincero. A mentira é um filho que se embala, uma poesia que se canta, uma pista em que se derrapa.

Posted by mozart at 2:55 PM

Reino de mozart (ii)

Claro que o sentido do natal é comer alimentos típicos e saber que a contribuição máxima do Brasil ao mundo é a rabanada*, e portanto é Natal, mas não no que me concerne. O ano passou como um avião de carreira, e será preciso mais do que um calendário da farmácia pra me convencerem a comprar tudo aquilo de novo.

(*) não tenho indicação alguma de que a french toast seja produto nacional; todavia o nome e os ingredientes são demais para que não mencionemos

Vou trocar de religião, é o jeito. Ratinho Lutero sentia-se muito reaça ao pregar as 95 frases, porém se gastasse alguns minutos mais, além de atingir um número redondo, poderia nos ter livrado de coisas como a divindade de Cristo.

Em vez disso, Lutero criou o pinheirinho de natal, fortalecendo a tradição. Só falta descobrir que estimulava o envio de cartões com estas midi terríveis -- que se São Paulo usasse em suas epístolas, não converteria nem São Pedro.

Falava, entretanto, sobre mudar de religião. Criar seria termo mais correto. Anos de observação e meditação me iluminaram com a verdade. E a Verdade é que Deus é aquela lampadinha vermelha no fundo da Igreja -- ou pelo menos foi o que escutei o padre dizer, ainda pequeno.

Sempre me impressiona, portanto, quem não conheça a Deus. Pois tá lá, é só olhar. Você pode até desatarraxar pra ter certeza -- só toma um pouco de cuidado.

E se Ele não está em toda parte, pelo menos dá pra comprovar que aquela panfletagem de Extra Ecclesiam Nulla Salus não passa de uma grande bobagem. Pois há salvação fora da Igreja, sim, e basta ir à zona onde se exerce a mais antiga profissão do mundo para comprová-lo -- segundo as más línguas, o cristo em pessoa costumava freqüentá-la.

Posted by mozart at 11:25 AM

December 21, 2004

Das frases pomposas

Um país se faz com homens e livros.

Um estado se faz com jovens e revistas.

Um município se faz com moleques e hqs.

Um jardim se faz com bebês e mensalidades que dão vontade de chorar.

Posted by mozart at 1:15 PM

Solstício Social

Já que em onze anos nossas escolas não conseguem ensinar conceitos os mais básicos, uso este espaço para explicar à sociedade, de maneira bastante bruta, verão e inverno.

wunderblogs também é cultura

Ruim deve ser explicar para a molecada na Europa e Euá que, durante o inverno, a Terra esteja mais próxima do Sol. Mas isso é outra história, e não têm com que se preocupar.

Posted by mozart at 9:48 AM

Igreja Universal do Reino de Mozart

Agnósticos pagam meia.

Posted by mozart at 8:42 AM

Top 6 Chavão: Deus

- velhinho barbudo
- voz das nuvens
- homem de cueca falando palavrão
- uma espécie de nuvem informe ou força vital
- algo vagamente antropomórfico
- a natureza

Posted by mozart at 3:04 AM

Amor e Dor

A ESPN sorteou a camisa do meu time.

Sendo necessário redigir uma frase criativa, fiz o que qualquer pessoa inteligente faria: me vendi. Tasquei uns versos bem canhestros* e mandei. Ou assim pensei. Venceu um rapaz que rimou "paixão" com "olho cheio de emoção". Não dá pra competir com isso.

(*) Com o Botafogo não é fácil, não,
relação de graça e sofrimento eternos
Ser Botafogo é padecer no paraíso
e se alegrar no inferno.

Posted by mozart at 2:59 AM

U-hu! Ficamos em segundo na grande guerra!

Era uma tarde, como se diz, agradável. Voltava a pé do mercado, pensando sem pesar nas pessoas que usem capitais ao se referirem àquele, quando fui assaltado pela manchete: "Ronaldinho eleito melhor do mundo."

Assaz intrigante. Minha vida inteira, pensara que o melhor do mundo não se elege, se constata. "A necessidade da eleição implica demasiada discórdia para que o título tenha algum valor", pensava levianamente.

E foi pensando com meus pacotes que me lembrei de uma declaração que vira mais cedo na tevê; um jogador do clube atlético paranense afirmando que o segundo lugar deveria ser muito comemorado. Dando volta olímpica após a perda do título, vejam vocês.

Um jogador que dá volta olímpica, ainda que chocha, ainda que falsa, após perder um campeonato ganho, sem dúvida que todos o queremos em nossa seleção. E o mais triste é que o Ronaldinho, após uma derrota na eleição, diria "é um honra ter sido lembrado e estar entre os três..."

E todo mundo acharia muito elegante e cavalheiresco. E claro que não há nada de errado nisso, não fora, em caso de vitória, as mesmas pessoas darem cambalhotas por três dias e três noites, soltarem fogos de baixa qualidade, saírem por aí buzinando.

Será burrice ou sabedoria, até que ponto esse tipo de mentalidade influencia um povo, pensava eu, quando um rapazinho me pediu uma esmola. Os pacotes me dificultaram a tarefa de alcançar a carteira. Perdi algumas moedas e a linha de raciocínio. Não perdi muita coisa.

Posted by mozart at 12:44 AM

December 20, 2004

Are We Alone?

Não. Mas é o que me perguntava quando assistia a certos jogos no Caio Martins, e somente mais trinta ou quarenta bobos me acompanhavam.

Desde então, descobri que o Flamengo pode até não ser mais popular que Jesus Cristo, porém tem mais adeptos que o judaísmo e a Irlanda juntos.

Mas não me converti. Preferi ganhar títulos, torcendo para Real Madrid e Barcelona ao mesmo tempo. É o que me torna único e especial.

Posted by mozart at 1:23 PM

December 19, 2004

Escola

Escola é quando o plágio seria descarado demais pra não perceberem.

Posted by mozart at 2:35 PM

December 18, 2004

Artigos de cama, mesa & banho

Meu sonho, bastante modesto, é redigir artigos para jornais de informação em massa. Não pretendo influenciar uma geração nem despertar os leitores para a realidade, apenas assinar todo dia com um nome diferente.

E, mais importante, indicando uma profissão diferente. Cansado dessa gentalha que se declara espontaneamente "advogado", "ministro" ou "embaixador".

Artigos sobre economia assinados por um ascensorista (no caso de ações do boi gordo, um magarefe). Profundíssimos estudos de política internacional escritos por taxista ou barbeiro; meia-página a respeito de censura & infância redigidos pelo papai noel do shopping da barra. É tudo que queremos.

Posted by mozart at 4:55 PM

Romantismo vs. Quinze meses e onze contos de réis

Nestes dias de imensa tristeza e agrura*, repensei o ultra-romatismo durante quase vinte segundos, e o "romantismo como um todo". Concluí o que concluo sempre: na música, bom; na literatura, romantismo => ruim**.

(*) a propósito: não morrerei, era só um pouco de herança genética ruim
(**) exceto a estrofe de tédio e sineiro, até passável, conquanto ridícula

Não há um só livro romântico passável em nosso país, talvez até no mundo*. Eu, pelo menos, tenho vontade de vomitar. De preferência na mãe de um indianista**.

(*) com exceção, talvez de os três mosqueteiros
(**) movimento precursor de pérolas como Peões ou Entreatos

Mas... romantismo. A coisa é tão ruim, que até o Machado se estrepou tentando. E não foi à toa que logrou tamanho sucesso pouco depois. Após meio século de lixo, e nenhuma história*, era óbvio que sua ironia e humor lhe confeririam o título de gênio inigualável.

(*) sermões de padre vieira? dai-me um tempo.

Eu gosto bastante de Memórias Póstumas. Já Dom Casmurro, acho meio idiota, os personagens (todos eles), e há um ar de Almodóvar naquela história de seminário, Bentinho, Escobar, sei não... mas, apesar da história chatíssima, até que é bom. Só não sei por que obrigam todo mundo a ler. Qual o objetivo? Não quero saber.

Posted by mozart at 3:10 PM

December 17, 2004

Os Azuis-Turquesa

Em 2005, descobriremos que um dos personagens da turma da Mônica é gay. Talvez a própria Mônica, só pra enfatizar; ou o Pelezinho, em franco retrato da infância no interior do estado de São Paulo; ou o tal de Do Contra, o que parece mais provável.

Em 2006: drogas, divórcios e daltonismo.

Posted by mozart at 7:28 PM

December 16, 2004

Feira de Ciências

Feira de Ciências é quando o governo tenta desestimular a criançada de virar cientista. Infelizmente, sendo a gazeta deplorável tradição de que nosso gigante padece, poucos se envolvem, o que depois gerará feiras ainda maiores -- como qualquer visitação aos campi demonstra sem dificuldades.

Posted by mozart at 12:28 PM

Mas um dia...

Um dia saberemos que os nossos tempos foram apenas a infância da humanidade. E a constatação de sempre: que péssimas as babás.

Posted by mozart at 2:01 AM

December 15, 2004

Ultrafinitismo

Só agora vi o convite. É uma escola cujo fundador -- falo de Esenin -- tem uma filosofia de vida bastante interessante, e liberal, baseada em número pequeníssimo de postulados (dois). Comentaremos o caso em outra oportunidade. Ou enviaremos os links adequados.

Adendo: não achei um link para sua filosofia. Mas eis os três postulados da "lógica totalitária", que lhe renderam um ano de prisão:

Postulate I. We can prove premise A by proving premise B which resembles it, then call this a proof of A.

Postulate II. A thinking person is someone who understands his personal and public usefulness

Corollary: It is impossible that a thinking person would dispute postulate I, for he would therefore not be a thinking person.

Postulate III:( in two parts)

(a) Persons who do not understand their personal usefulness are to be commited to mental hospitals.

(b) Persons who do not understand their public usefulness are to be sent to jail or executed.

Finally, “two principles of the understanding”. These fall outside of logic proper and can be called “Meta-Logical”

PRINCIPLE I: The word “to understand” means either to understand as we understand, or as somebody else understands.

PRINCIPLE II: If somebody states that he does not wish to understand something, then he does not understand.

Posted by mozart at 4:56 PM

Repost (17.V.2002): MAGIC vs. ASTROLOGY

Ok, não estou muito bem. Recorro então a um repost; e a um repost de algo que nem por mim foi escrito. Lembrei-me devido aos links do AAS. Começava mais ou menos assim:

Algo que meu irmão me passou, mês outro, e achei interessante compartir.

"I do, however, highly recommend the essay in its own right; it can be found as the Introduction to Lewis's ENGLISH LITERATURE IN THE SIXTEENTH CENTURY, EXCLUDING DRAMA (Oxford UP, 1954).

' This conflict between the magician and the astrologer seems very surprising to those who want to impose our modern grouping on the men of the past; for by our grouping magic and astrology go together as 'superstitions'. But the moment we drop our grouping (which is from the historical point of view irrelevant and accidental) and try to see the two arts as they appeared to their exponents, the thing becomes perfectly simple. Magic and astrology, though of course often mixed in practice, are in tendency opposed. The magician asserts human onmipotence; the astrologer, human impotence. The common emotion (whether of repulsion or whimsical curiosity) which unites them in our minds is modern: something on the lens of the glass we look through, not something in the historical object. '

[snip more on the literary history of magic -- very interesting]

' But in Spenser, Marlowe, Chapman, and Shakespeare the subject [of magic] is treated quite differently. 'He to his studie goes'; books are opened, terrible words pronounced, souls imperilled. The medieval author seems to write for a public to whom magic, like knight-errantry, is part of the furniture of romance: the Elizabethan, for a public who feel that it might be going on in the next street. '

According to Lewis, the scholars of the fifteenth and sixteenth centuries were attempting to teach themselves power via magic; as that failed, they turned to technology, and the connotation of technology has taken over the meaning of our word science. Astrologers, on whose heels followed the Calvinists, were determinists who denied the power that the scientist/scholar/magicians were seeking.

(...) I'm thinking about alchemy, which had its heyday of study during the period Lewis describes. It's been said more than once that the Philosopher's Stone was meant to be a by-product of the whole alchemic process; that is, that the goal was not the Stone itself but being a person worthy of the Stone. That's why it was called the Philosopher's Stone -- the stone of the person who loves wisdom. Reaching that goal meant reaching higher and higher levels of personal transformation and power -- something which the people of the Renaissance still believed possible."

Posted by mozart at 4:07 PM

Agnosticismo

"The hottest places in Hell are reserved for those who in time of great moral crisis maintain their neutrality" (Abraham Simpson)

Posted by mozart at 11:57 AM

December 14, 2004

Overrated XX Century Things

- Janis Joplin
- Simba Safari
- Keystone Keepers
- Comida em Caixinha

Janis Joplin poderá, facilmente, ser substituída por James Joyce. Jair Rodrigues é muito mais overhated, todavia não encaixa no esquema de iniciais. Marcel Marceau, sim, porém não teria como se defender, e não sou covarde.

- Sei Shonagon
- bandas
- cosméticos, produtos light
- o bozo
Deus do céu, é preferível um KrustyBurger a estas comidas diet por aí. Quer emagrecer? Bebe água gaseificada, mastiga devagar, vai dormir.
- camada de ozônio
- tolkien, telemarketing
- a cápsula do tempo do fantástico

Na verdade, nada disso é pior do que o bom barbeado, que nos consome tempo à beça, dinheiro, além de engendrar machucados ocasionais. Há, é claro, as travas mul-T-lock e os profetas do futebol-arte, mas preferimos seguir acreditando. E finalmente:

- animações, câncer de pele, cirurgias mediúnicas;
- direitos humanos
- direitos trabalhistas
- os seus direitos de uma forma geral
- home, fantasia de gorila, and so to bed.

Posted by mozart at 3:51 PM

December 13, 2004

Traumatismo pra dar e vender

Uma país dividido entre um assassino -- que nem bom assassino é --, e um sujeito que mais parece um vilão saído de uma história do Dick Tracy -- só falta o terno colorido.

Deve ser muito triste morar na Ucrânia -- principalmente agora, que o Dínamo foi pro brejo. De tal buraco, tivemos Clarice Lispector; creio que já foi o bastante.

shine_happy_people.jpg
We Want You, yeah yeah yeah
Posted by mozart at 6:46 AM

December 12, 2004

Only Beer And Fine Grass Keep My Rattled Nerves Sane

Se é verdade que a Amazônia tem alguma importância, do que duvido, seria de bom alvitre que a tirassem das mãos dos brasileiros.

Nossos congressistas fariam um favor a si mesmos, e à humanidade, internacionalizando a Valéria Valenssa da biodiversidade. E quem acha que Jerusalém não pertence a Israel, que atire a primeira nota de onça-pintada.

E se for mentira, vendamos agora, enquanto está em alta...

Adendo: há, naturalmente, uma quantidade de pobres tontos que julgam-se muito inteligentes e se recusam a pensar em termos econômicos quando lhes desagrada a Verdade. Pensem então nas crianças, meus caros. Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós? Livrar os filhos dessa decoreba é o máximo que faremos pela nação.

Posted by mozart at 3:46 AM

December 11, 2004

Dies Caipirae

"Grande Sertão: Veredas", o livro que influenciou minha formação.

Deleitaram-me as primeiras páginas, todavia jamais passei da 130. Isto é, salvo para ler as páginas finais. E também folheei o resumo organizado pela equipe de professores de algum cursinho de São Paulo.

Não menti: aprouveram-me imenso as páginas iniciais. O caipira semianalfabeto que se acha muito superior aos seus iguais, eis uma imagem do Brasil.

O trato com o linguajar, claro: "vieram emprestar as armas", pãos ou pães, tudo muito bacaninha. Logo vi se tratar de um bom, ou pelo menos curioso, escritor. Porém o livro é muito chato, repetitivo, pseudolírico, obscurantista, e, o mais importante, não tem nada a ver comigo.

Um ensinamento simples, o que tão cedo o genial escritor mo concedeu: sua literatura não me diz respeito, e não me importa em nada. Simples, porém importante. E há um corolário, que só enxerguei mais tarde, ao conversar com um amigo: quem não nasceu no interior, ou pelo menos viveu na roça por um bom tempo, e fala de Guimarães Rosa só pode ser idiota. E isso não é questão de opiniães.

Porque não há como imergir no universo roceano. Não há. Salvo de uma maneira muito superficial, como um escafandrista que mergulhasse apenas os pés de pato numa poça de lama inexpugnável. Mas é só isso que eu tinha a dizer.

Posted by mozart at 11:00 AM

December 10, 2004

Grandes Momentos do Futebol

Presente enviado pelo senhor meu irmão:

I am the Eggman. They are the Eggmen. I am a jelly doughnut.

Posted by mozart at 4:44 PM

The lighter side

Entrei num site de numerologia e descobri que eu e Jennifer Connely temos 99,3% de compatibilidade. Estou felicíssimo. Como o site deve estar errado, ela provavelmente acredita em numerologia.

Posted by mozart at 6:36 AM

December 9, 2004

Aragorn, filho de Arathorn

Elessar: o termo élfico para ardósia.

Posted by mozart at 1:40 PM

Qual o pior filme de Robin Williams?

- Flubber - uma invenção desmiolada
- O Homem Bicentenário
- Jumanji
- Morra, Smoochy, morra
- Retratos de uma Obsessão
- Sociedade dos Poetas Mortos
- Todos, inclusive os que eu não vi

Em breve: enquete sobre Nicolas Cage ou Ben Stiller.

Posted by mozart at 12:41 PM

December 8, 2004

O mundo tomado pelos rappers

Amanhã, em O Globo: mozart descobre que Draco Malfoy abandonou o mundo bruxo, seguindo instruções específicas de Lord Voldemort, e agora canta rap na tevê para muggles de todas as etnias intelectualmente desfavorecidas. Um futuro com rimas em ão e muita justiça social nos espera.

Posted by mozart at 2:15 AM

December 7, 2004

Botafogo, Vasco, Flamengo

Tudo a mesma porcaria. Só muda a divisão.

Posted by mozart at 9:31 PM

Nonadas que se cruzam... belelém tralalá

Enxergo o empolado escritor com o mesmo desdém que vejo as moças da corte de séculos passados, sempre com suas saias e perucas ridículas -- quase tanto quanto a do mister pastorinha...

E não posso deixar de notar que a ignorância imberbe serviu-me para clarear a visão. Em três páginas, por exemplo, percebi que George Orwell era um jornalista, e que tudo aquilo era pouco imaginativo, estrumeira.

A primeira vez que folheei Os Sertões -- a conselho de minha avó --, tive a impressão de que não era um escritor, ou que era um muito ruim. Pois não sabia valorizar a palavra comum, preferindo esgotar o leitor com o saber de seus dicionários, em vez de usá-los nos momentos apropriados. Era uma pessoa sem noção.

Claro que o desprezo profundamente, porém tenho opinião ainda pior sobre a crítica em geral, e prefiro dizer que "dentre os dicionaristas rococó, estava longe de ser o pior, e lá tinha suas competência".

A respeito da obra de Guimarães Rosa, a cozinha francesa do meu tio, ou a monarquia inglesa, seguirei o Conselho de meu profeta, copeiro e advogado.

Posted by mozart at 5:00 PM

Medicina Alternativa

Fiquei muito surpreso com o tratamento despendido ao brasileiro que jogava na Índia. Para que voltasse a respirar, começaram a alisar seus braços, e mais tarde o esfregavam como se fora a maravilhosa lâmpada de Aladim. É-me impossível conceber como surtiria algum efeito, mas num local em que se cultue Shiva, é de se imaginar que as medicinas de fundo de quintal privilegiem os membros anteriores.

No ocidente, o desprezo pela medicina alternativa é um pouco mais comum. E não ajudam em nada o vocabulário e linguajar de seus praticantes, além da ojeriza de seus profetas por um mero teste de chi-quadrado.

Eu acho tudo isso apenas meio ridículo; mas encaro as práticas como uma forma tão boa quanto qualquer outra de movimentar a economia, e creio mesmo que talvez constituam a mais forte contribuição à seleção natural em nossos tempos.

Magnetoterapeutas, homeopatas, jardineiros de Bach, adventistas das vidas passadas, uni-vos. De preferência em algum canal aberto de madrugada.

Posted by mozart at 2:18 PM

December 6, 2004

Germanismo em gotas

"A verdade de hoje é o caso particular de amanhã." (Otto Köhler)

Posted by mozart at 1:56 PM

Variações sobre um tema de Nokia

Meu irmão passou o link de um sujeito que não aguentava mais interrupções em concertos. Mas no que concerne ao gênio de Ned Ludd, falaremos hoje é sobre a Microsoft.

Olha, eu admiro muito mesmo isso que vocês fizeram por mim, em troca do meu dinheiro. Tanto que não exijo qualquer garantia sobre os produtos; quero apenas dar um murro na cara do William Gates. Pois ee todos os usuários clamassem por tal direito, não haveria necessidade de garantia alguma.

Ned Ludd era um gênio, dos maiores que a humanidade já teve, pois desconfiava do próximo e não acreditava no escoamento do Belo pelos ralos da civilização. Mas os industriais da época pagaram todo mundo para o pintar como um mau selvagem.

Posted by mozart at 1:44 PM | Comments (7)

December 5, 2004

Os incríveis

Harry Potter e a Filosofia, Ed. Madras
A Paixão de Cristo - Mel Gibson e a Filosofia, Ed. Madras
Filosofia de Banheiro, Ed. Madras
O Livro Completo da Filosofia, Ed. Madras

E da mesma editora: "Revelando o Código da Vinci", "As Chaves Secretas do Cristo", "Mato, Logo Exito (A Família Soprano e a Filosofia)", "Sai Baba - Meu Divino Mestre" e o hoje clássico "Matrix: bem-vindo ao deserto do mundo real".

No espere; desce o revólver.

Posted by mozart at 12:33 PM | Comments (2)

A cafeteira vitruviana

Meu sonho é trabalhar dormindo; os sonâmbulos não sabem a sorte que têm -- exceto, é claro, quando amanhecem com alguma queimadura, ou o braço todo ensanguentado.

Não sou nenhum Ícaro: estimo que 90 a 95% da população assim proceda. Pois somente o REM e transtornos mentais que desafiem a ciência explicam os romances chatíssimos de Lima Barreto, a litania eterna do senador Eduardo Suplicy, ou a má distribuição de renda.

Aliás, há dois ou três dias eu acreditava no Brasil. Mas essa história de exportar o que é bom, e viver de nescafé aguado... a Inglaterra e os Estados Unidos que são espertos, e duzentos anos atrás já saíam na pancada até por causa de chá.

Posted by mozart at 11:20 AM | Comments (1)

December 4, 2004

Censored Celebrities Poker

Decepcionadíssimo com o tal poker das celebridades*: pensei que veria estrelas fazendo strips mais chocantes que o da mulher de Michael Moore. Que as mães forçariam o governo a criar uma novo sistema de classificação, como na época de Indiana II. Vi apenas um jogo de cartas muito do fajuto. Cancelarei a assinatura amanhã mesmo.

(*) que meu irmão insiste em chamar de celeridades, tsc

Num segundo pensamento, não cancelarei. Cedo ou tarde, a tevhf imitará a fórmula, e assistiremos a excepcionais jogos de truco ou biriba em horário nobre. E o pior é que vão convidar a Regina Casé, e ela vai querer ficar de calcinha vermelha. Tô fora.

Estou impressionado que a Globo ainda não tenha produzido um seriado nos moldes do Band of Brothers. Meu irmão acredita piamente que ela obrigará o Brasil a entrar numa guerra, só para fazer a série depois. Mas ele faz faculdade pública, então a gente perdoa.

Posted by mozart at 5:19 AM | Comments (3)

December 3, 2004

Literatura

Suas costas doíam como sisos em flor. Seu corpo esforçava-se como um líquido rançoso para se adaptar à carteira que lhe cabia naquele latifúndio.

Num esforço hercúleo, seus olhos divisaram uma imagem desfocada e completa da realidade. Uma mesa longa, que bem se prestaria a um refeitório escolar, onde criaturas humanas fingiam debater um tema altamente relevante.

No dia seguinte, o médico lhe diria se tinha câncer ou não, como se não soubesse a verdade. Um ponto crucial em sua vida se aproximava, e tudo em que conseguia pensar era "Então a vida é só isso? E nem de uma frase original serei capaz?"

Um ruído o tornava uma vez mais consciente do exterior.

"O prédio está embrasando!"

Na saída, apenas prédios.

Posted by mozart at 11:05 PM

Acordar, verbo indefinido

Renée Zellweger, linda. Até que suas bochechas inchavam, inchavam, e era então somente aquelas bochechas túrgidas, e as bochechas vinham em minha direção, e eu fugia, e elas mais e mais próximas, e eu fugia.

Renée Zellweger é muito mais aterrorizante que qualquer imagem abençoada pelo Alexandre -- com exceção da 61, é claro. Até escrever seu nome dá medo.

Mas isso aconteceu há várias horas, e se menciono é porque meu período de letargia pór-sono tem se estendido progressivamente. Não consigo fazer nada durante tais períodos. E chegará o tempo em que serei o sonho de uma sombra. Mas até lá me permito algumas conjecturas e observações.

Se consideramos minha tragédia pessoal um evento universal, provaremos sem dificuldades que o Brasil é o país do futuro.

Pois se a África é o que é, tudo se deve à mosca tsé. O verbo acordar foi indeferido em assembléia da tribo há três mil anos, e ai de quem tocar no assunto.

Quanto ao Império Estadunidense, cairá not with a bang, but a whimper. Extremismo religioso, veto a pesquisas com células-tronco, doping generalizado de seus desportistas, tudo isso são sombras: a ojeriza ao café é o sol.

O Brasil não apenas tem dimensões continentais, vocação geopolítica, povo alegre, uma costa privilegiada, e muitas riquezas neutrais: yes, nós temos café. Há séculos, e temos muito. Colômbia e Vietnam disputam um distante segundo lugar.

Deixem os loucos pensarem que o ouro negro é o petróleo; matem-se à vontade adorando falsos deuses. O futuro, a nós pertence. Quer dizer... se a Starbucks e a Red Bull não resolverem encrencar.

Posted by mozart at 2:10 PM | Comments (3)

Abre os bolsos sobre nós

Liberdade artística é o que te oferecem, quando não têm nada melhor para ofertar. Na universidade ocorre algo similar: "ó, teu salário será uma merreca, então faz aí o que você bem entender; e nem pergunte sobre um novo detector."

Em tese, ocasionalmente sairá algo que preste.

Posted by mozart at 1:14 PM | Comments (0)

December 2, 2004

O Julgamento do Tempo

dies irae
Posted by mozart at 3:09 AM

December 1, 2004

Retratos da Vida

brasilzao.jpg
Posted by mozart at 1:35 AM