Há uma série de filmes e livros que procuram nos instigar contra certos personagens através do pobre artifício de fazê-los cometer uma injustiça grotesca, ou de serem completamentee insensíveis, ou cruéis egoístas, e isso muitas vezes é mostrado em relações pai-filho ou autoridade-subordinado (incluso presidiário), sem mencionar o animalismo amoroso e as mulheres mal-educadas.
Esse maniqueísmo hiperbólico consegue causar-me abjeção unicamente ao autor -- não entrarei nos abusos perpetrados à cronologia natural da história, que já chegam a ser o tema de alguns filmes...
Não sou contra o maniqueísmo, esclareço, apenas o exagero. aliás, a maior parte de meus conhecidos, se personagens, classificados seriam "forçados". Uns são tão personagens que cheguei a pôr meu ateísmo de lado por algum tempo e cri estar vivendo em alguma espécie de realidade virtual, pré-programada para me divertir com as figuras fantásticas que encontraria.
Não pude crer, porém, que tivesse escolhido um enredo tão miserável, e tornei-me agnóstico -- afinal, é possível que houvesse uns pontos a serem distribuídos antes do jogo, e tivesse-os gastado quase todos com as pessoas* que encontraria, conviveria. O interessante, entretanto, era tirar Deus do papel de sádico e atribuir-me o de masoquista....
(*) que, por sinal, vem de persona, personagem.
Mas então veio The Matrix, e aminha NEO-religião passou a lugar-comum, e larguei-a, como a tudo mais. Preferi voltar-me para Buda Cósmico, e é por esta razão que redivulgarizarei das versões de seu paraconsistente libelo:
Chamado ao Grande Buda Cósmico
Desde os anais das civilizações, houve explicações para o surgimento do universo, do homem, para as estações do ano. Ordenaram as causas e os efeitos conforme suas possíveis experiências sensoriais do espaço e do tempo em que se encontravam.
Essa abstração, capacidade comparativa, de se perceber semelhanças e diferenças em diversos fatos foi crucial na preservação da nossa raça foi devido ao Buda Cósmico.
É permitida a previsão do futuro - ao ver raios e trovões sabe-se que haverá chuva. Contudo, isso é condicionamento, um cachorro ao ver uma coleira associa a passeio, e prevê o futuro. A diferença básica entre um e outro é que o homem pode estender esse condicionamento para outro ramo completamente diverso, é quando um novo poder aparece a imaginação criativa , e através dela, ele vê os possíveis acontecimentos em um novo nível de realidade.
Dessa busca infernal de nosso dos genes pela sua manutenção, da força inercial da forma, da luta pela sobrevivência do animal, surge aí uma realidade interior que começa a tomar forma. O animal já não pode conte-la, as duas então as maiores amigas e inimigas dançando essa estranha dança.
Assim nós ficamos entre o maravilhoso anjo louco aprisionado a esse animal que não tem dúvidas, que seus impulsos fluem como um rio boiando nas costas de Buda Cósmico.
A forma de explicar o mecanismo da realidade sensorial através de formas ultra-sensoriais ou abstratas é o mito. Não peço, nem espero, que dêem créditos a Buda Cósmico, pois essa realidade não é para qualquer um. Só Buda Cósmico pode suporta-la.
Buda Cósmico declarou recentemente que nós somos pessoas muito boas, e que estamos sempre certos, independente do contesto. Buda Cósmico, já oculto na obra Assim Falava Zaratrusta, de Friedrich Nietzsche, matou a todos os deuses de rir ao expor suas idéias, principalmente a de que seria o único verdadeiro Deus. Céu e inferno acabaram, o bem e o mal foram embora juntos.
Buda Cósmico prega o amor livre independentes de barreiras morais. Haverá ter leis pró algum , e um rato às terras férteis e fartas às margens, o rio; o desenvolvimento da raça humana é uma característica nos diferencia dos outros animais.
O Guru
Em meados da década de cinqüenta, ao sul da França na pequena cidade de Chartres, uma das maiores personalidades de nosso século nasceu. Com a alma elegante e chique, o Guru do Buda cósmico sonha acordado. Vivendo no limiar da loucura à beira do precipício. Na atualidade já conta com muitos adeptos na França, em seu território localizado numa floresta.
No Brasil seguidores perceberam o intra-realístico em meio a idéias desconexas ao senso de abstração incutido nos atuais cérebros.
A Queda
No início havia o chuchu, ou melhor, era o chuchu, mas ele sucumbiu, caiu; deus, então, gritou: Gerônimo! - e criou a humanidade para justificar sua absurda fala. Caindo, sem causas, ressentimentos, independente de barreiras morais, caiu simplesmente por cair, este é o fato, terrivelmente horrendo e assustador para almas onde há um pingo de vida. Caindo para todos os lados, o CHUCHU deixou de ser...Buda Cósmico, olhando para suas privadas mãos, chorou...por séculos, mas vendo nada adiantar, pôs-se a cantar e a dançar. Buda Cósmico chora muito, mas também canta e dança - se palmas batesse, seria a imagem de uma foca, elas abstrairiam; porém, Buda, forte, não bate palmas..
E quanto aos homens, como enfrentar essa monstruosa realidade intrínseca à Grande Queda? Atribuir ao próprio chuchu a Grande Queda ? Seria desumano - qualquer intelecto mortal ou imortal jamais suportaria. Não podendo carregar esse fardo nas costas, o homem se droga: a da culpa, da causa e do efeito do papai celestial. Os antigos projetaram a culpa no diabo, uma fantasia muito presente dentro do homem.. Assim, por milênios, a humanidade se salvou. Se por toda história, o conhecimento evoluiu, foi por causa da Grande Queda e o medo de tal revelação. Mas, de tanto fugir da queda do Chuchu , na metade milênio I, os desenhos numéricos vieram como parteiros. Forçando o imaginário a abandonar a proteção do útero de deuses e diabos decadentes. Newton, diante de um novo contexto, jogou a culpa para ela a: Força. Iluministas e renascentistas colocaram, então, nela a culpa . Dessa forma estava suprimido o terrível fato. Nunca haverá um tempo em que a realidade do Chuchu será suportada por uma criatura enquanto dualidade.
O Buda Cósmico
Buda cósmico reveste a Terra nos protegendo dos ataques de meteoros dos alienígenas de Plutão , planeta frio e distante , e Saturno, através de setas de amor. E não pede nada em troca.
Grande e bitelo, Buda Cósmico é o mais chique. Pense no que há de mais chique, que Buda Cósmico o porá no chinelo, com a vantagem de ser, também, muito elegante - é fundamental notar a diferença. A realidade é chique, mas aos olhos humanos, sob efeito do Coala-Peixe-Pássaro-Mutante - que, com sua língua maldita, murmura aos ouvidos e nos faz errar, com o beneplácito de Lord Sensor, esses sim, grandes inimigos do Buda Cósmico -, não se consegue perceber tal chiqueza. Toda forma de evolução caminha para o chique.
“Buda Cósmico / Acalentai minh’alma ávida de elegância”
Prolegomena - Delírios do Buda Cósmico
“Espalhando ao mundo na forma de idéias congeladas, a revelação potencial / Não espera, nem pede créditos, sendo a crença olhos que não vêem. / No horror da liberdade está o sublime.”
“Preso está o homem em seu casco / Graças a Deus não percebe que está preso / ...E lá fora Belzebu faz a festa.”
“Não estás vivos, pensas que estás vivo. Não há causas, nem efeitos. Não há espaço, não há tempo: há o Intervalo. Não acredite, nem deixe de acreditar, crer não existe. Não há caminho nem temos onde chegar. Não há perdão, há fatos. Não há bem, não há mal, há a diferença. Não há sujeito, não há objeto; Só o verbo e seu adjunto. E também tudo isso não deixa de haver.”
“Tu és a criatura que não consegue olhar diretamente para nuca. Isto é o que te diferencia do resto do Universo, tanto de uma pedra tanto de uma Galáxia.”
“ A fé se esconde atrás do olho.”
“Ame tudo, amará você; odeie tudo, odiará você. Ser é reagir, transformação, reencarnação de nós em nos mesmos. Nós somos os olhos da parte que é o todo; a visão não vê bordas. Todo homem possui uma doença mental; chama-se Realidade ! Querer fazer e não poder é o que nos faz ser muitos, e sendo muitos percebemos o que é o Um.”
“Ou tudo, Ou não.”
004:013: ( A parábola dos dois filhos pródigos ) Palavra do Senhor:
Um dia, flutuando como um rio que bóia nas costas do Universo, através de um buraco de vitrola, Buda Cósmico, chique e bitelo, encontrou a Mãe Gostosa e disse assim:
“ Você não é minha mãe!”
“São seus olhos, cegos à Verdade, que não podem enxergar o fogo de minha boceta, bela e criadora.
As estrelas peidam energia, meu filho, e o céu um dia foi roxo.
Eu sou a mãe, a Mãe Gostosa”
"Se é minha mãe, quem é meu pai?"
"Teu pai era haplodiplobionte"
"Diga que não é verdade; diga que não é verdade!"
"E tem mais: sua apetitosa mãezinha é sado-massorética; adora uma Torah, Lei -- aqui é preciso ser esperto para entender a sutil piada"
"Eu não entendo" -- retira-se para chorar, escondido atrás de uma árvore mágica, de onde, então, jorram crisântemos flutuantes, numa tempestade divina.
Buda Cósmico Escolhido
No tempo em que o tempo que está à direita se cruza com o tempo à esquerda, mas que não está pro lado, Buda Cósmico era irmão de seu irmão siamês. Estavam unidos pelos olhos.
Foi então que Geovésio falou, com sua voz de Trovão:
"HYERONIMO! HYERONIMO! HYERONIMO!
ONDE ESTÁ HANS SOLOMON, FUTURO FILHO DE DAVY?"
"Yo no sé, Señor. Pero yo pienso que él está hablando con Luca e LeónBlanco de Norcia."
"TRAGA-LO"
"Em que posso ser-vos útil?"
E Geovésio contou a triste história, que o produto de um ser "três-em-um" com uma prostituta normal tinha resultado em gêmeos siameses...
Disse Hans Solomon: "Não há problema; tragam uma espada!" E, assim, cortou de tal forma as pupilas dos olhos siameses que apenas um podia ver, enquanto o outro estava para sempre cego.
A Mãe Bunduda, que chegava no instante disse "Não!, deixem que cada um possa usar pelo menos um olho!", mas já era tarde; e assim surgiram Buda Cósmico e Jesus. Um com dois olhos, outro, enxergando tudo através de seu reto anal; e, até hoje, ninguém sabe qual é qual...
Deus* mandou à vadia que, dentre os dois, escolhesse um para cuidar, enquanto o outro seria o mercúrio-cromo da paz na Terra.
E ela escolheu Buda Cósmico
* Antes de se viciar em creme-crack e tornar seu cérebro puro mingau de aveia.
Alguns extratos perdidos na França foram encontrados em Roma. Neles, algumas palavras estavam impressas. Estas palavras eram apenas palavras, porém palavras do guru do Buda Cósmico -- aquele que, quem sabe?, olha diretamente para a nuca...
“ As pessoas acham que compram e, comprando, acham que têm. ”
“ Ninguém possui nada. Ninguém é dono de nada. Ninguém é senhor de si mesmo. Mais vale a dialética! ”
“ Ser senhor de si mesmo é ser escravo de si mesmo; se há uma moral REAL, então Deus é escravo dessa moral; senão ele não possui sabedoria, mas apenas caprichos ”
“ Sejamos, pois, apenas, amigos de si mesmos; si-amigos, siameses ”
“ Sejamos, pois, apenas amigos de nossos irmãos siameses que nunca conseguimos ser ”
004:014 Então, um dos leprosos, abriu com dificuldade seus lábios e disse algo incompreensível, ao que outro traduziu: Mas afinal, qual dos dois é o filho pródigo?
004:015 Eli, eli, lamá sabactâni?
004:016 Como?
004:017 Buda Cósmico, não? Afinal, foi ele que saiu de casa, não?
004:018 Então a gente deve fazer tudo ao contrário do que Jesus fazia?
004:019 Bem, eu suponho que sim.
004:020 Nossa, quanto tempo eu perdi!
004:021 Vocês ainda têm tempo para fazer muita coisa...
004:022 Mas e a saúde?
004:023 Bom, essa foi a lição de hoje. Preciso ir
004:024 Claro, homem do Senhor; antes, porém, nossa orquestra local fará questão de tocar algumas músicas para agradecê-lo.
004:025 E, então, um grupo de leprosos, alguns sem dedos, outros sem mão, pernas, apoio, se pôs a tocar uma música horrível, incompreensível, em que o cantor parecia estar com a língua dependurada para cair. Doentes terminais, aqueles homens não viam visita há muito tempo, e estavam agradecidos sobremodo pela vinda de um mensageiro do senhor lhes dar orientação e fé nesses dias de luta. Era uma visão dantesca. Homens sem dedos a tocar harpa, violão, flautas; a visão era tal que, pouco após o início, o Guru já não ouvia a música. Era apenas a visão que o abalava. E aquilo iria alterar profundamente a sua vida.
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Últimas notícias que tivemos sobre Buda Cósmico:
Pós-Temporada no Olimpo – Mensagem de Mercúrio
Houve um tempo em que Buda Cósmico, o Deus Sem Vaidades, teve um acesso de inveja e se tornou orgulhoso. Foi nessa época, em que os homens lhe pareciam como vermes que habitam as sujeiras por debaixo das unhas, que surgiu o famoso prolegomenum: “Ich bin der einzige Gott.”
Buda Cósmico, O Deus Sem Vaidades, buscou suas origens em todo o Cosmos, tinha certeza ser grandiosa. O primeiro lugar foi o Olympus. Lá encontrou Narchisus, que, à época, também não era flor que se cheirasse, e já ia uma discussão interminável sobre quem era o mais fodidão e tal e coisa, quando Narcisos, irritado, disse a Buda Cósmico que sabia sua mãe ter tido um caso lesbiano com Juno, bastava perguntar a Atlas. Buda Cósmico ficou estarrecido e, num momento de fúria, disse a frase que ficou célebre, e até hoje é repetida por todo o mundo: “Vê se te enxerga, filho-de-puta!” E saiu – mais tarde, Narciso, sentindo-se vitorioso na discussão, a relembraria e, encucado, iria até um lago próximo para ver sua imagem...
Contando tal episódio, certa vez, disse Buda Cósmico: “nunca se deve olhar diretamente para a medusa, nem de esguelha.”
O encontro com Atlas não foi menos surpreendente; vendo o ser responsável pelo pequeno tremor das estrelas, ficou surpreso ao perceber no que todo aquele tempo em que esteve submetido ao isolamento o havia transformado. Era a ele, o isoladão, que os Deuses iam contar suas mágoas, revelar seus planos, pois sabiam que lá ele ficaria, que não interviria – e, se começasse a soltar o bico, logo não haveria ninguém quem conversar... Mas não era bem assim, Atlas havia tomado para si a posição de vizinha fofoqueira, e, como às vezes lhe contavam inverdades, nunca era possível ter certeza do que dizia, embora jurasse ser verdade (mas nunca de pés juntos, um detalhe que não poderia passar em branco).
Atlas exigiu alguma fofoca do estranho para que lhe contasse a verdade, e o máximo que Buda pôde oferecer foi sua discussão com Narciso, que mostrava o porquê de lá estar. Atlas ficou feliz, pois já havia sido informado do que sucedera a Narciso, e isso era a chave para a compreensão; assim, ficou feliz ao dizer o que Buda não queria ouvir:
“ Então estava a mãe de Buda Cósmico no Olimpo, fugidia. Vagava quando encontrou a Juno, uma jovem atraente e gostosa, e lhe disse: o Senhor veio a mim e se aproveitou de minha inocência; estava cansado de ménages a trois sozinho e violou minha partes pudendas.
Juno, pensando que a Matrona se referia a Zeus, disse-lhe: muito me agrada disso saber, pois me havia ele prometido sua trombeta, por ele tudo fiz, até meu antigo nome já era. Façamos, pois, com que seu filho morra, e o nosso surja para ameaçar o reinado. Juno, ao contrário do que se crê, filha de Hermes com Afrodite, se uniu à mãe do Buda Cósmico e, por meio daquela re(a)lação, surgiu o que permitiu a dupla fertilidade.
E, quando já estava tudo acabado, penetrou Zeus – que era do tipo que só faz amor quando chega em casa bêbado --, voltando do pagode de Baco (que estava investindo no olhar oblíquo das orientais), sem perceber ser a mãe de Buda Cósmico quem estava na cama, pois a outra estava catando piolhos no banheiro. Zeus gozou, se virou e roncou.”
Fleumático, repercebendo os problemas inerentes às vaidades, Buda Cósmico ainda sairia em busca de outros reinos, como a Terra de Thor, mas isso só deve vir a conhecimento em revelações futuras. A verdade é como Foreman: lenta, mas quando chega arrebenta. O que se sabe, até o momento, é que teria pedido informações no caminho a uma cousa branca e disforme, que se dizia Elvis Presley. A cousa começara adorando as músicas, passara a adorar os homens, e terminou a adorar falsas imagens de bons músicos e boas músicas de sujeitos extraordinários, até se tornar aquilo.
Estas são as palavras de Buda Cósmico, o Deus sem vaidades:
“Não cobice a mulher do próximo, ela também te trairá. Estar próximo e não conseguir é melhor nem tentar. Segundo lugar é para os porcos. Mas é uma coisa boa.”
“Repreenda teus filhos, se achar conveniente, mas não os mate. Quem mata se atrofia, quem morre se decompõe, mas só quem compreende alcança a iluminação. Prostituir-se ao próximo é emprestar o corpo a Deus.”
“Não pronuncie o nome de Deus em vão, pois ele se desconcentra. Nem use Seu nome para vender cigarros. Deus tem marca registrada, e o cartório é dele. Mas se pronunciar, não diga que não foi avisado.”
“Esconda seus tiques nervosos; eles te tornarão alvo de humilhação ou espantará os amigos. Não há amizade que resista ao tapete chamado dinheiro. Todos são fortes na fraqueza; todos são fracos na oportunidade certa; difícil é ser. E é sendo que a gente descobre o quão distante se está do poder ser.”
“Ser é mudar, alteração, ser, não ser, apodrecer. Talvez por isso quadrado seja dizer que o Universo é redondo... ”
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These fragments I have shored against my ruins
Why then Ile fit you. Hieronymo's mad againe.
Datta. Dayadhvam. Damyata.
Shantih shantih shantih