Depois que o gato fez algumas sujeiras que eu, por discreto, não descrevo, o dono do gato, que não era dono do gato porque gato não tem nunca dono, mas que era dono da casa do gato e portanto mordomo do gato, percebeu que o bichano andava mal, e não o levou ao veterinário, pois ninguém leva gato a parte alguma, senão que foi lá com ele acompanhá-lo, pois levava o carro do gato e era assim motorista do gato.
Contudo, o primeiro veterinário a que foram só entendia das unhas do gato; e o segundo, do pelo do gato; o terceiro, da cauda do gato; e o quarto estudava somente o focinho e bigodes do gato.
Foi então que se enfezou o mordomo do gato, que também era seu motorista, e falou:
"Unhas do gato, pelo do gato, cauda do gato! De que nos adianta quem saiba dessas coisas? Não se vê que o pobre do gato, quando come algo, se desarranja de um lado e do outro?"
"Ah! exclamou o especialista no focinho e bigodes do gato, fazendo um muxoxo bem feio. Então é problema digestivo? Isso é mais complicado; vocês vão é precisar de um gatointeirologista!"
Fizesse mais frio, ventasse,
e ventando, baixo soasse
um pio de um canto qualquer,
um canto de um canto qualquer
e no entanto claro, voando
entre os galhos secos, soando
raro um assobio qualquer,
chamava a Walter de la Mare.
Devia ser do joão-de-barro... e veio outro passarinho.
Vemos três bocas ou quatro abertas no escuro do ninho?
Piam; piavam tão alto de dentro da casca do ovo?
Piam enquanto comendo; e param; e piam de novo.
Uma expressão das mais lindas que já li é destes dois versos do Marvell:
My vegetable love should grow
Vaster than empires...
Que são de To His Coy Mistress, o mais delicadamente sem-vergonha dos textos. Entretanto, eu queria mesmo era traduzir The Coronet. Ou melhor dizendo, queria antes traduzir os dois.
Bom, e quem não queria?
Ler poesia, apenas, é bom; no entanto, excelente é primeiro folhear um bom crítico, deixá-lo correr pelos versos, enumerar suas impressões, seus argumentos, suas objeções, para só então correr à poesia... e discordar de tudo. Diferentemente de pessoas sem páginas, o gentil livro não replica, e se não admite enfim que sempre e sempre eu tenho a razão, ao menos se cala e, por bom senso ou boa educação, não me diz o oposto.