... retoma a brincadeira:
Se três te restam das velozes pernas,
Ó cão percorredor dos largos campos,
Determinado assim não foi dos deuses?
Alinha-te depressa à oliveira
Altiva e, semelhante a ela, of'rece
Aos céus calados o teu gesto; ali
Serenamente em águas tuas cai,
De volta a quem tu és e foste sempre.
Aqui alguns se ressentem de que o Cruz e Souza não seja tão conhecido e aclamado quanto Baudelaire et caterva. Eu dizia comigo que ele nunca o seria porque Baudelaire está cheio de imagens singulares que resistem à tradução, enquanto o Cruz e Souza depende muito de seu comando extraordinário do som, que exige um segundo Cruz e Souza para traduzi-lo.
Correta ou não, a idéia me parecia original até que eu lesse (ou relesse?) o que o Pound disse meio à toa num ensaio, a respeito de ninguém particularmente:
That part of your poetry which strikes upon the imaginative eye of the reader will lose nothing by translation into a foreign tongue; that which appeals to the ear can reach only those who take it in the original.
(A ênfase em "eye" é do original; quem passou o texto para a rede a esqueceu.)