Primavera prematura
no sábado cedo.
Na calçada caem
pássaros às poças.
Tomam banho, sol,
meus olhos.
As unhas dele cresciam. Temia cortá-las, não queria pedaços de si largados no mundo e na terra, arcos mínimos semeados celebrando seu viver de amargura.
Olhava os pequenos no chão, sentados felizmente como filhos de outro e deserdados como foram de sua tristeza, ignorantes mesmo dela por enquanto. Brincavam sempre. Cada pezinho deles cabia nas mãos dele quando os pegava e media no colo. Os sorrisos pequenos e as risadas, essas não tinham medida nenhuma nele ou no que ele conhecia.
As unhas cresciam nas mãos e nas meias. Tinha medo, pavor de cortá-las.
“Sete mulheres naquele dia lançarão mão dum só homem, dizendo: Nós comeremos do nosso pão, e nos vestiremos de nossos vestidos; tão somente queremos ser chamadas pelo teu nome; tira o nosso opróbrio.” (Isaías IV, 1)
Minúsculos bichos nós somos.
Voamos tão baixo, tão baixo.