Quando criança eu não entendia por que Yoplait era pronunciado "ioplé", não "ioplaite". Esta era, absurdamente, a pronúncia de Yoplight. Deixei a dúvida esquecida, irresolúvel, por anos. Quando aprendi light e lait, ainda me não lembrei. Só ontem, andando no frio.
Percebo com mais dum ano de atraso que num texto meu citado na corte de Pisuerga escrevi "swimmed" em vez de swum. No semestre seguinte, justamente swim foi o primeiro verbo irregular que vim a ensinar a alguém.
Há um momento singularmente aborrecido nas corridas de automóvel. Começa quando os pilotos se apresentam e acaba com o estouro do champanha. Talvez por isso comemorem.
Traduzido do original pelo autor e dublado nos estúdios da TVS
Beira de estrada. Noite. Uma pizzaria. Numa pizzaria na beira da estrada à noite. Nenhuma árvore, porém clientes vegetando. Sentado numa cadeira, Estragão tenta tirar o relógio. Entra Valdemiro.
Estragão: Não adianta.
Valdemiro: Tenho concluído a mesma coisa. Só me pagam no dia combinado.
Estragão: (ainda às voltas com o relógio) Atrasado sempre.
Valdemiro: (aborrecido) Mil perdões! Pelo menos o senhor pediu já a pizza?
Estragão: (desistindo de tirar o relógio) Não, o garçom não veio.
Valdemiro: (triunfante) Mas você não viu que ele está ali mesmo? (aponta para fora do palco)
Estragão: Onde?
Valdemiro: Atendendo o Godofredo.
Estragão: Ah!
Ouve-se um barulho de bandeja caindo cheia, como que despedaçando o universo.
Valdemiro: O garçom deixou cair a comida!
Estragão: Por que ele carrega todas as coisas numa só mão?
Valdemiro: É admirável, um malabarista. Há mozarela em toda a parte. Ou é mussarela?
Estragão: Talvez se o ajudássemos a recolher tudo ele nos servisse de uma vez.
Valdemiro: "Moza" ou "mussa", não compreendo nada dessa língua. Mas se eu falasse a língua dos anjos e falasse a língua dos homens e não tivesse alguma coisa, o que mesmo eu seria?
Estragão: Tradutor?
Valdemiro: O garçom recolheu as coisas.
Estragão: Ele vem para cá?
Valdemiro: Não.
Estragão: (irado) Como não? Por que não vem?
Valdemiro: Está atendendo o Godô.
Estragão: (desanimando) Ah! E se fôssemos a outra pizzaria?
Valdemiro: Tem razão. Vamos!
Estragão: Agora!
Valdemiro: Imediatamente!
Estragão: Nós dois!
Valdemiro: Juntos!
Estragão: Imediatamente!
Eles não se movem.
Fecham-se as cortinas.
Enquanto me não deportam
O jornalista americano estava errado. Não há consumo em demasia de álcool, antes falta. Álcool e fósforos.
Meus sonhos todos, ou aqueles de que me lembro quando acordo, são dignos sempre de nota, mas nunca os anoto. Sempre tratam dalguma coisa em que pensei pouco antes de adormecer. Sonhei ontem com o gato siamês do vizinho, que invade o condomínio e mia alto madrugada afora. Sonhei que o enxotava. Sonhei que uma dezena de outros gatos apareciam depois no condomínio, cercavam-me e berravam, ameaçadores.
Meus sonhos são sempre assim, dignos de nota.
Saíamos de uma prova quando um colega meu disse hoje que o academicismo "produz idiotas planejados". Provavelmente, mas desde janeiro eu ganhei na academia cinco quilos de músculo.
Why spend time and money at the gym if we can lose our bellies in the translation?
"O Balão da Mente
Façam, mãos, o que lhes digo:
Tragam o balão da mente,
Que vai arrastado ao vento,
A seu parco abrigo."
(The Ballon of the Mind
Hands, do what you’re bid;
Bring the balloon of the mind
That bellies and drags in the wind
Into its narrow shed.)
"Era um menino triste. Gostava de saltar com os meus primos e fazer tudo o que eles faziam. Metia-me com os moleques por toda parte. Mas, no fundo, era um menino triste. Às vezes dava para pensar comigo mesmo, e solitário andava por debaixo das árvores da horta, ouvindo sozinho a cantoria dos pássaros."
José Lins do Rêgo, Menino de engenho
O jovem já não se importa com a virgindade.
O jovem já não se importa com a virgindade alheia.
O jovem não quer parceiros que sofram de labirintite.
O jovem não quer parceiros de vento e pancadas de chuva.
O jovem quer parceiros estáveis.