~ 27.12.02

Though this be madness, yet there is method in 't

Não faz tempo que li e ri muito com alguns versos sobre Osama Bin Laden em que o escritor fazia um trocadilho entre Laden e ladre para, em seguida, a partir do verbo ladrar, chamar de cão o terrorista. Li, acabei de rir e lembrei que já lera algo semelhante de que eu não rira. Tratava-se disto:

o neoliberal
neolibera-se de neoliberar
tudo aquilo que não seja neo (leo)
libérrimo:
o livre quinhão do leão
neolibera a corvéia da ovelha

Aí está de novo: desde o trocadilho até espirituoso entre neo e leo, Haroldo de Campos esgarça a idéia de leo até o lugar-comum quinhão do leão e passa à figura contraposta da ovelha. O texto chama-se circum-lóquio (pur troppo non allegro) sobre o neoliberalismo terceiro-mundista. Ao fim de prolongado esforço, concluí que o hífen no meio da primeira palavra tenta sugerir no prefixo a palavra circo – sugestão que, embora nada espontânea, se explora dizendo em parênteses que o circo não é muito alegre. Não tem mesmo por que ser.

Vê-se um método nessa loucura. Na falta de metáforas naturais, segredo exclusivo do poeta verdadeiro, os falsos embaralham letras, jogam com os sons e deles tentam fabricar imagens provisórias e mais ou menos adequadas, o máximo a que chegam. Quem sabe um estudo sistemático dos concretistas expusesse outras técnicas de má poesia, mas minha vocação para besouro estercorário não vai a tanto. Agora prefiro concentrar minha atenção na escultura de Amílcar de Castro que acompanha aquele texto de Haroldo de Campos. É fantástica a precisão de detalhes com que o artista retratou o memorável antagonista daquele clássico do cinema romântico filmado por Chuck Jones, The Dot and the Line.

Afixado por Glhrm Qndt às 11:19 AM

Já que o mencionei

Numa sua carta a um amigo, sobre os bons modos das moças lisboetas, não muito diversos dos daquelas que nós outros conhecemos:

E, pera verdes, digo que há cá dama tão dama que, pelo ser de muitos, se a um mostra bom rosto, porque lhe quer bem, aos outros não mostra ruim, porque lhe não quer mal.

Eis uma nota inconveniente, porque pode dar a supor que por isso me queixo; mas se, de fato, razão tenho para queixar-me, não é essa que menciono, mas a contrária, e esclarecimentos maiores não dou. Por enquanto, para distrair-nos de tão espinhoso assunto, observemos o quanto esse sujeito, e Vieira, e São Paulo, me afastam da prosa retilínea. Más companhias.

Afixado por Glhrm Qndt às 9:31 AM

~ 26.12.02

Contágio

Não sei se lhes sucede a mesma coisa que a mim, aqui, parece inevitável: mal leio do Camões poucas estrofes, que podem ser do épico ou da lírica, e quando dou por mim, sofri contágio – estou falando já em verso heróico.

Não sei se lhes sucede a mesma coisa
Que a mim, aqui, parece inevitável:
Mal leio do Camões poucas estrofes...

Afixado por Glhrm Qndt às 6:15 PM

Réu confesso

Está bem, está bem, admito – sei que tenho muito talento. Para que não haja dúvidas sobre minha confissão, presta atenção no que digo: humildade é cristianíssima virtude; modéstia é coisa de imbecil.

Afixado por Glhrm Qndt às 6:07 PM

~ 23.12.02

Duas

Meu sonho de consumo são meninas, duas, nunca menos, talvez mais. Uma pequena para a cama estreita em quarto rosado, histórias de fadas antes do sono e beijos ligeiros na testa; outra maior para outro quarto, cama e abraços largos, beijos longos antes do sono e finais felizes perpétuos.

Afixado por Glhrm Qndt às 2:56 PM

~ 21.12.02

"de um poeta desconhecido"

Quando, há algumas semanas, perguntou-se quem ainda vivo era poeta, respondi "Alberto da Cunha Melo". Essa não é opinião só minha; é a de Bruno Tolentino, por exemplo, conforme a li numa página de revista que vou pegar no meu armário, lá no quarto. Fica à vontade, leitor, que volto no parágrafo seguinte com a página, uns livros, uma história tola de mim e versos emprestados.

Não fazia muito tempo que eu tinha pela primeira vez lido alguma poesia de Bruno Tolentino, do livro A balada do cárcere, o único de que dispunha e dispõe a biblioteca da universidade que eu freqüentava, quando encontrei numa sala de espera um exemplar velho da revista Bravo! onde o poeta escrevia uma coluna chamada A educação pela pedra. Naquela edição e naquela coluna, que não posso indicar com precisão maior porque atirei no lixo o resto do exemplar, Tolentino dizia quais eram, na sua opinião, as "quatro ou cinco grandes vozes poéticas" brasileiras das últimas décadas. A "mais contundente", dizia ele, era a de Alberto da Cunha Melo.

Fiquei muito curioso sobre o tal grande poeta de que nunca ouvira falar, e depois surpreso quando encontrei na biblioteca uma velha coletânea do pernambucano. Depois de muitos meses passados e de muito renovar o empréstimo do livro, procurei o autor na rede, e tateando os fios o encontrei num dos nós. Vencida a timidez do deslumbrado que sempre fui, perguntei-lhe, pelo correio eletrônico, onde eu encontraria um livro, Clau. Ele não fez menos que me prometer um dos limitadíssimos exemplares, no qual, por alguma coisa que eu lhe tenha dito e não sei o que foi, me fez a mercê de pôr uma dedicatória "de um poeta desconhecido a outro poeta desconhecido". Agradeci numa carta em que disse, resumindo, que o raro livro era o único pertence insubstituível do meu patrimônio. A carta seguinte dele veio com outro livro, Yacala, agora para o "inesperado poeta". O que a seguir fiz foi lamentável, mas não "inesperado". Como criança, dei uma lida muito apressada no poema e escrevi outra carta, laudatória e de certo modo hipócrita, já que eu mal lera o livro: correra os olhos por ele, unicamente para lha escrever. Nem de longe mencionei o essencial da poesia.

Alberto da Cunha Melo não me respondeu essa carta e deixou-me com a impressão duradoura de que consegui o efeito oposto ao que infantilmente eu procurei. Às vezes olho na estante o pequeno e modesto volume, e penso se ao ler minha carta cretina ele se arrependeu tanto de mo ter mandado quanto eu, lendo melhor o poema, me arrependi de ter improvisado os elogios imaturos que remeti.

Bem, às favas com tudo isso. Dia mais ou menos eu escrevo a ele outra vez, contornando os louvores fáceis e falando como se deve, ou seja, direta e honestamente. Até lá, deixo um pedaço de Clau, da Oração pelo poema e de Yacala, respectivamente, para justificar a existência desta longa nota e, quem sabe, o meu papel ridículo.


Surpresas

E quando julgavas
que teu corpo secara
as quentes resinas,
que não mais havia
sobre a pele espaço
onde a vida pudesse
com faiscantes unhas
riscar sua ânsia
de novos achados,
que não existia
floração mais viva
sob a copa exposta
ao sol permitido,
quando assim julgavas,
dos bilhões de corpos
um só bastou
para a terra inteira
tilintar suas vagens,
despertar brincando
feito a queda mais nova
de uma velha cascata.


XVIII

Agora mesmo perguntaram
porque eu, altas horas do Século,
tal como um cão retardatário,
venho arranhar a tua porta.

Acharam fora de propósito
a maneira como me arrosto
contra tua túnica, rasgando-a
cheio de furioso amor.

Não sabem que te peço a nova
beleza despreocupada,
antes a qual este meu poema
será simples mata-borrão.

Que busco pegar a palavra
entre muitos homens na estrada:
despi-la dentro do ataúde
e fecundá-la novamente.

E nem ao menos compreendem
minha devida gratidão
à grande voz que nomeou
antes de mim todas as coisas.


032

Pensa no fim, na foz do fogo,
sem esperança, ao fim da tarde,
para furtar-se do pavor
que lhe desperta a eternidade,

enquanto o faz, não sabe mais
localizar em seus anais

onde essa agonia termina,
depois do episódio menor
da vida, este sopro na cinza,

depois deste sol desertor
que não tem mais onde se pôr.

Afixado por Glhrm Qndt às 2:33 AM

Tende bom ânimo

As coisas não serão como esperadas. Esperei mal, esperei muito, esperei simplesmente errado. Não será como o esperado. Dará tudo certo, no entanto, apesar do que houver; apesar mesmo de mim. É a única promessa e a única inscrição na branca parede de luz em volta. Não obstante, é quanto me basta.

Senhor, é quanto basta. Obrigado.

Afixado por Glhrm Qndt às 12:35 AM

~ 20.12.02

Males de nascença

Desde ainda bem novo padeço com os sintomas de uma doença congênita, incurável e degenerativa. Comumente chama-se heterossexualidade. Ataca os nervos, altera a respiração e a freqüência cardíaca, e o conseqüente desconforto causa perturbações graves no comportamento. Em casos agudos afeta o sistema endócrino, particularmente as glândulas salivares; nos casos mórbidos, as lacrimais.

Num dos desvios de conduta mais tolos em que a patologia se manifesta, eu folheava o jornal da cidade, sofrimento voluntário a que nenhuma outra força me compele. Buscava o caderno que no estio se publica sob o pretexto de tratar da estação, mas cujo fim oculto e piedoso é, com fotografias, acalmar leitores afligidos pelo mal. Lá não estavam. Atrás de um placebo, enveredei pelas colunas sociais, ricas nisso embora pobres em geral no mais; e num canto de coluna citava-se o velho Drummond.

O velho Drummond, não Drummond velho, imprescindível distinguir. O velho Drummond de versos de cristal polido. O velho Drummond dizia ali, escondido ao pé da coluna:

Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Não reconheci logo, mas era de Claro Enigma. Há tempos li um poeta advertir contra o abuso dos adjetivos. De abusos fale quem possui entendimento, advirta quem os conhece. A mim basta o trabalho de observar os que aparecem. Drummond, velho Drummond, não vou tirar a pele dos versos. O exame exigiria que se aquietassem diante de mim, porém vivem, embora estáticos, eles me enterrarão sem dúvida; e falta a lâmina. Apenas pego neste, formas improváveis, ponho do lado daquele, secreto investimento, puxo dum bolso aquele outro, rocha imperativa, e comparo com o sono rancoroso, os mitos pretéritos, a inspeção contínua e dolorosa.

Contínua e dolorosa! Como a doença, nalguns dias, o verso em quase todos, e a inata incapacidade de redimir um no outro.

Afixado por Glhrm Qndt às 4:10 PM

~ 19.12.02

Símbolos e vocações, ou

No país dos escritórios

Um ramo de tabaco à direita, um de café à esquerda.

Afixado por Glhrm Qndt às 2:01 PM

Programa de auditório

Seria interessante participar de um programa de auditório e passar por aquelas perguntas de praxe que o apresentador faz aos convidados. Podia ser o do Gugu Liberato, o do Raul Gil, o do João Kleber, o do Marcos Mion, o da Hebe Camargo; do Jô Soares não, ainda me resta alguma dignidade. Suponhamos que fosse o do Gugu Liberato:

Gugu: De que parte do seu corpo você gosta mais?

Eu: Da minha sintaxe. Do meu hipérbato especialmente.

Afixado por Glhrm Qndt às 10:55 AM

~ 18.12.02

Receita prática e fácil para a extração de lágrimas. Ingredientes necessários: um tema, duas canções, um par de olhos, e alma.

Quase esta frase começa dizendo que há duas canções que eu não consigo cantar. Seria falso. Cantar não consigo nenhuma. Em geral consigo, quando sei a letra, o que é raríssimo, recitar ao longo das notas as palavras. Destas duas não. Pára a língua porque o ar não ultrapassa a garganta.

Parece que as duas são de Handel, embora eu tenha cá minhas dúvidas acerca da segunda. A primeira é uma ária do Messias, para soprano. Rejoice, rejoice greatly, o daughter of Jerusalem, diz o libretto, citando o profeta Zacarias. O assunto é um casamento, o maior dos casamentos, e a música é festiva. Quando se acalma, porém, e promete He shall speak peace unto the heathen, eu lacrimejo. Como agora, escrevendo essa frase. Quem resiste a casamentos?

A outra, feita para daqui a uma semana, dizem que é de Handel também: a canção natalina chamada “Joy to the World”. Não venço nem o primeiro verso. Tranqüilamente eu anuncio joy to the world, mas engasgo ao falar o C e estanco ali quando tento avisar: the Lord is come.

São duas canções, como se vê, e um o tema. Let earth receive her King. Bastam olhos e acrescentar uma alma, qualquer uma, pode ser aquela humilde e simples com que o leitor já nasceu, e pronto: eis lágrimas e lágrimas. Faz a experiência por ti mesmo enquanto busco um lenço para mim.

Afixado por Glhrm Qndt às 4:19 PM

Let the Hero born of woman
Crush the serpent with His heel,
Since God is marching on.

Na rua Felipe Schmidt hoje de manhã, o sanfoneiro cego, em lugar das costumeiras canções caipiras, tocava o Battle Hymn of the Republic. Conseqüentemente, vim desde lá até o trabalho balbuciando que mine eyes have seen the glory of the coming of the Lord. O nome revolucionário que deram não faz jus à letra, como se vê pelo trecho que citei no cabeçalho desta nota. O leitor deve reconhecer o texto daqui: Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta [ou este] te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar (Gênesis, III, 15 – o proto-evangelho).

Eis o tipo de nota que o sujeito acaba de escrever infeliz. Fico dividido entre lamentar a perda do repertório de música tradicional do sanfoneiro, quando se lhe apagar a última luz, sua única; ou rabiscar alguma coisa sobre o simbolismo da picada de cobra no calcanhar, mal de que também padeceu o Filocteto... um estudo que venho adiando há anos, como quase tudo nesta minha vida estranha; decerto terminarei não tratando de uma coisa nem de outra. Por ora basta dizer que a descendência (ou antes, o Descendente) de Eva não foi picado ao invadir com o pé terreno sagrado, como o Filocteto. Quem invadiu esse terreno foram seus pais segundo a carne e, depois deles, tu e eu, meu caro leitor. Mas a ferida no calcanhar, quem a sofre não somos nós; nem esmagaremos sozinhos a cabeça da serpente.

Afixado por Glhrm Qndt às 11:00 AM

Fazendo água

Estou envergonhado. Eu tinha, na penúltima nota, escrito que "é pique! é água! rá, tim, bum!" Meti na cabeça que a letra deveria ter "é água" porque quando uma embarcação vai a pique, "faz água". Daí as duas onomatopéias finais seriam quase perfeitamente adequadas ao som do mergulho dos náufragos. Tudo, como se vê, esteticamente justificado. Deveria ser assim.

Só que a letra da música não é essa; porém me convenci de que a letra que eu tinha inventado, com toda sua linda explicação, era a correta. Substituí a letra pela minha idéia de letra, sem perceber. Troquei o fato pela teoria. Não é terrível? Desse jeito eu acabo fazendo pós-graduação.

Afixado por Glhrm Qndt às 9:38 AM

~ 17.12.02

Acidente culinário

Um deslize, um sobressalto, a mão se atira e nada encontra. Espatifa-se no chão o ovo. Imprestável agora, jamais será o que por natural finalidade nascera para um dia tornar-se, nem aquilo para o qual fora, por quem o separara, destinado. É pena que eu não tenha em mãos a câmera. Poupava-me a autobiografia.

Afixado por Glhrm Qndt às 11:57 PM

É pique! é hora! rá! tim! bum!

Quando entro na página do Blogger para decidir se escrevo ou não aquilo que tencionava escrever – o que, só em dúvidas e frescuras, tomou vários meses antes que esta página viesse à rede – costumo dar uma espiada, à esquerda, nos nomes dos blogues notáveis e dos atualizados mais recentemente. Um deles tinha o chamativo nome “Ruivinha do Dono” e se tratava, claro, de um pequeno caderno de peripécias sexuais de uma senhorita, com alguém que ela chama de “meu Dono”, narradas de maneira a mais chula imaginável. Três vivas para a libertação da mulher: quebrem-se as algemas, ponha-se a coleira. (Sinto muito, nada de linque. Este é um blogue de boa família.)

Outro blogue, não muito interessante nem divertido, era de um voluntário americano das Peace Corps no Moçambique; mas, conquanto escrito em inglês, tinha lá no meio uma letra de “Parabéns a você” em português, muito mais longa do que a nossa:

Parabéns a você
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida.

Tenha sempre do bom
Do que a vida contém
Tenha muita saúde
E amigos também.

Hoje é dia de festa
Cantam as nossas almas
Para (fulano)
Uma salva de palmas.

Além de insuportavelmente longa, não se diz que é pique, é pique, é pique! é hora, é hora, é hora! rá, tim, bum! Ora, isso lá é coisa que se faça no aniversário de alguém? Povo cruel, o moçambicano. Não é à toa que precisam desses Peace Corps.

Afixado por Glhrm Qndt às 6:07 PM

Sangues frios

Falei dos emplumados e esqueci o escamoso. Injustiça, grande injustiça. O domingo teve, além dos canários, o lagarto amarelo e preto que se esgueirou devagar de entre as folhas e baixou o corpo no solo para tomar sol.

Também teve o preservativo usado e largado no cimento a poucos metros da embalagem prateada, no canto do estacionamento. Podia especular sobre que tipo de casal ali se enfia para ali se enfiar, mas não gosto tanto assim de répteis.

Afixado por Glhrm Qndt às 4:05 PM

Piscina suspensa

Não veio facilmente o sono, agitado entre as paredes por alegrias pequenas. Quando baixava a fervura, subia à superfície a espuma de algumas palavras para hoje, acerca de um céu granítico e circunspeto que, supunha-se, viria pela manhã. Em vez disso, o firmamento é uma piscina suspensa, o nome azul da sede.

Afixado por Glhrm Qndt às 3:54 PM

~ 16.12.02

Canários e pombos

No domingo o dia, mui desobediente a mim, não retrocedeu. Fui caminhar à rua, queixar-me pessoalmente. Andei rápido, andei lento, regendo com os passos meu resmungo interior... se não foi precisamente o oposto. A tantas eu andava quando desceram de uma árvore ao chão dois canários. Ela, de amarelo fosco, conforme convém à discrição de uma dama, piava pouco. Ele, amarelo brilhante e alegre e lindo, cantava e saltitava em torno dela. Num instante fugiram.

Lembraram-me os pombos que observo do escritório. Ele, pesado, anda de um lado a outro, vai e volta, arrulha, bate asas. Ela quase não se move, depois caminha um pouco, ele a segue, ele teima, ele insiste... Ela cede.

Muito didáticos esses bichos.

Afixado por Glhrm Qndt às 11:30 PM

Observação oportuna – parte primeira

Estou sempre certo. Nunca me engano. Jamais erro. Se não concordas comigo, leitor, e com algo que eu escreva, imensa é a probabilidade de que sejas um completo idiota.


Observação oportuna – parte segunda

Esta é uma obra de fingimento. Qualquer semelhança entre os fatos aqui mencionados e a vida real não é da tua conta, meu chapa.

Voltamos à nossa programação normal. Ou quase isso.

Afixado por Glhrm Qndt às 5:01 PM

~ 15.12.02

Não, não e não!

Errado, tudo errado isso. É cedo demais para o sol, para o dia, para o calor e a luz nas frestas da janela e da alma. Tudo errado. Aguardai um pouco mais, apenas mais um pouco. Digamos... uma semana. Até lá eu durmo e vos preparais. Recebei-me afetuosamente quando eu vier.

E estamos conversados. Com licença.

Afixado por Glhrm Qndt às 11:52 AM

Subjuntivo

Se eu fosse um sujeito sério e razoável, este espaço transbordaria considerações as mais sutis e graciosas sobre algum prosador fino, versejador sublime ou suaves melodias com eu que enchesse de alegria meu pesado coração.

Se eu fosse. Não sou. Azar o nosso.

Bem-vindos à palavra ociosa, em letra miúda.

Afixado por Glhrm Qndt às 12:34 AM