Ele acordou sentindo frio e levantou-se e era noite ainda e a estrela da manhã brilhava abandonada à beira do céu como a última vela acesa numa capela escura. Andou lentamente farejando o caminho no barro mantendo a cabeça baixa entre as poças de chuva negras como sangue na escuridão e não bebeu de nenhuma. Parou sentindo o cheiro de outros cães. Escutou seus latidos crescendo de algum beco próximo cruzou a rua devagar e afastou-se dali mancando ao longo de um muro de pedra que corria por toda a rua como se fosse anterior a ela e à cidade em volta e a mãos humanas e quando o cheiro dos outros se tornou fraco ele ergueu uma das patas e a urina jorrou ardendo no ar frio e ele caiu desajeitado sobre as costelas agitando as três pernas e molhando-se no líquido morno que escorria dele e o vapor fétido o envolvia enquanto ele se torcia parecendo ferver agonizante na poça de água barrenta e urina.
Afixado por Glhrm Qndt em maio 26, 2007 5:43 PM