junho 14, 2004

Monóculo

Como me ditou Crumbo Parsifal nos estertores de 1998, o homem chegou no portão e não disse nada. Ficou ali sujo cinza preto e gemendo, com um saco. Gengivas ocre. Plop: tirou o olho. Os Illuminati: A Visão. Odin ficou pendurado em Yggdrasil e no fim da patuscada perdeu um olho e ganhou as Runas. Talvez ser míope sirva como desculpa. As coisas todas foras de foco, o maldito monóculo, mas mordam-se de inveja: assim me torno um meio-sábio.

Estou com uma dor esquisita no canto do olho esquerdo; um pequeno inchaço a acompanha. Mal consigo fechar o olho, dormir é um problema. Não me parece tersol ou cousas do tipo. Tentarei compressas de água morna, depois recorro aos especialistas. Sei que estou ficando caolho, não precisam mentir. É a glória, é a glória de Polifemo. Olá, Camões.

Mas que pare por aí. Cego, não funciono, mesmo acostumado à situação limítrofe de meus quase dez graus.

Por Daniel Pellizzari em junho 14, 2004 6:07 PM

 






Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.
Samuel Beckett (1906-1989)