dezembro 14, 2003
U-Turn
Com certo orgulho eu romantizava a beleza da loucura, o mito do artista torturado e a emotividade intensa até que uma das pessoas que eu mais amava, epítome de tudo isso e de outras balelas enfeitadas, cometeu a infâmia do suicídio e me fez perceber a verdadeira dimensão de nossa estupidez: minha, dela, da humanidade.
Se comento isso agora, de modo aparentemente gratuito, é porque o cultivo de certas memórias e a reafirmação de seus lembretes nunca são excessivos. E porque mais uma vez chegou a hora de ir ao cemitério, celebrar a vida como uma renovada opção pelo não-suicídio, a razão como única medida justa e o abandono de todos os disparates como postura irrevogável. Amen.
Por Daniel Pellizzari em dezembro 14, 2003 10:22 PM
