dezembro 2, 2003
O que eu queria dizer
Apesar das chorumelas do último post, me recuso a preconizar o anacronismo. Xô, xô, apo pantos, vade retro. Sei perder, e sei perder muito bem. Não sou daqueles sujeitos que não apenas têm dificuldade em fracassar como também adorar imputar a responsabilidade de sua incompetência aos vencedores. Ganhou, ganhou; perdeu, não chora. É deselegante, poxa. Fail better.
Acordo todas as tardes sabendo que vivo no melhor dos tempos. Por vezes me surpreendo um pouco fixado demais no que poderia ter sido se não fosse, mas isso não me impede de perceber o que é bom neste "novo mundo". Se aparento o contrário, podem apostar que não passa de charminho ou indignação residual. Sou otimista (coragem moral, coragem moral), e como tal presto mais atenção no melhor de cada cousa.
Não adianta. Apesar do assombro que me domina por conta de minha alquebrada noção de continuum, é neste melhor dos tempos que existo e é nele - e no porvir, que dele depende - que preciso operar minhas tentativas. Decifrar o passado em busca de clareza, explorar o presente como movimento do potencial, moldar o bocado de futuro que me cabe.
Em suma, é por isso que o preto continua minha cor predileta.
Por Daniel Pellizzari em dezembro 2, 2003 12:11 AM
