novembro 25, 2003

Outro d'O Farol

Como ninguém ainda me demonstrou o contrário, continuo achando Joca Reiners Terron o melhor ficcionista da minha geração. Dono de uma imaginação de exuberância tamanha que chega a ser frustrante para seus colegas de ofício, Terron ainda consegue temperá-la com ousadia, domínio de linguagem e uma incrível versatilidade. É um sujeito capaz de emplacar (no ainda insuperável romance Não há nada lá) um escrete de personagens que inclui Lautrèamont, a pastorinha Lúcia (de Fátima), Fernando Pessoa, Baudelaire, Pio XI, Billy the Kid (ou melhor, Gui-o-Guri), William Burroughs, Jimi Hendrix, Aleister Crowley e Rimbaud, a histérica hebefrênica, perdidos em um enredo quase intangível e obeso de referências, para em seguida lançar um fabulário em fragmentos da coleção de horrores que vicejam em São Paulo (Hotel Hell, que tive a honra de editar). Quando leio, sinto inveja. Esse é sempre o melhor indicativo de que estamos na presença de um Grande. Nem cheguei a comentar os livros de poesia ou a denunciá-lo como um dos principais designers de livros do país, e muito menos revelar que ele já leu todos os livros do mundo. Não há remédio, é preciso capitular: Joca Reiners Terron, o cavalheiro calvo do sorriso de coringa, é O Farol.

Pois o tal de Joca está lançando mais um livro, desta vez pela editora Planeta. Não há nada lá foi publicado por sua própria editora, a Ciência do Acidente, inspiradora da Livros do Mal que lançou Hotel Hell. Agora é a vez de Curva de rio sujo, seu primeiro livro de contos. O convescote dar-se-á nesta quarta-feira, dia 26 de novembro, às 18h30, na livraria Cultura (Av. Paulista, 2073 Loja 151: Conjunto Nacional). Autografar é uma chatice, um provável castigo do demiurgo para nos punir pelo prazer da criação. Apareçam, paulistanos, e paguem uns drinques para o Joquinha. Ele merece uma noite leve.

Por Daniel Pellizzari em novembro 25, 2003 1:54 PM

 






Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.
Samuel Beckett (1906-1989)