novembro 22, 2003
Epílogo desútil
Mesmo com tudo que disse abaixo, ainda acredito que tema e/ou enredo são secundários em literatura ou qualquer arte narrativa. Nunca condenaria uma obra simplesmente por ser realista ou por lidar com a sarjeta. Quando produzidas pelas mãos de mestres (e eles existem), são tão sublimes quanto quaisquer outras, e podem ter valor até mesmo quando assinadas por sujeitos não mais que competentes. O que me incomoda, acima de tudo, é a previsibilidade, a repetição que leva à monotonia.
Narrativa é, antes de mais nada, linguagem (as in modo de narrar, estilo; não confundir com descalabros semiológicos). Uma história aparentemente prosaica, se narrada com gênio, torna-se formidável. Um enredo intrincado e imaginativo perde todo seu apelo se não vier servido em uma forma interessante. Lembrem sempre que o tio Shakespeare usou enredos requentados na maioria (ou todas? não lembro, confesso) de suas peças. Não era exatamente um sujeito original, mas perdurou porque contou melhor. Aprendamos.
Por Daniel Pellizzari em novembro 22, 2003 6:05 PM
