April 29, 2008
Bem, amiguinhos, hora de dizer tchau. Muito massa escrever aqui durante esses últimos anos e tudo o mais, mas uma hora acaba.
Deixo vocês com uma cover do Beirut (é, aquele) para... ah, descubram baixando. É bem o climão de despedida festeira que queria dar ao post:
April 15, 2008
ludo fore putavimus
Durante muito tempo, as únicas abominações presentes nas adaptações para o cinema dos contos de H. P. Lovecraft foram os próprios filmes, todos sem exceção bastante inferiores ao material original.
Em 2005 isso mudou quando a H. P. Lovecraft Historical Society lançou "The Call Of Cthulhu" em DVD. É provavelmente o mais próximo que se chegará de capturar em filme o espírito presente na mitologia lovecraftiana. Muito embora o filme esteja longe da perfeição (sou geek hidrófobo e mordo), ainda assim "The Call of Cthulhu" é um sucesso improvável, o tipo de empreitada humilde que não se pode deixar de admirar quando se tem a noção de que se trata de um material desde sempre considerado "infilmável", repleto de conceitos brilhantes no papel, mas difíceis de concretizar em imagem (arquitetura não-Euclideana, "ângulos malévolos", criaturas que desafiam a capacidade descritiva etc). Se esses conceitos já seriam difíceis de se conseguir num filme custeado por um estúdio mainstream, que dirá numa produção caseira com orçamento limitado (para ter uma idéia: no filme, uma cena no mar é conseguida com uma lona e jatos de ar a la Trapalhões; Cthulhu é uma miniatura em stop motion; e R'lyeh é um modelo de papelão)?
Foi aí que os caras da HPLHS tiveram a idéia de filmar toda a história no formato dos antigos filmes mudos em P&B, e se beneficiar de todo o caché cult que filmes expressionistas como "O Gabinete do Dr. Caligari" e "Nosferatu" possuem hoje em dia. Os efeitos especiais precários se tornam não só desculpáveis como necessários, se integrando perfeitamente no conceito de como seria um filme feito na época em que o conto de Lovecraft foi publicado. É uma idéia brilhante mas arriscada, o que só torna mais especial o sucesso de crítica que o filme obteve (os fãs de Lovecraft adoraram).
Tudo isso pra dizer que descobri meio por acaso que vai haver um festival de cinema fantástico aqui no Rio, e veja só, "The Call of Cthulhu" vai ser exibido. Pode apostar que vou estar lá, se não para ver o filme, que já assisti (a internet é vária), para assistir cariocas assistindo Lovecraft, um autor que ainda é um "segredo compartilhado" entre o povo que curte horror. E ver as reações do público não só ao conteúdo do filme (o horror lovecraftiano deve parecer uma curiosidade inofensiva, se não tediosa, em época de "Hostel" e coisas do tipo; é antes uma atmosfera de progressiva revulsão intelectual baseada em constatações sobre a ordem de importância da humanidade no Universo; os protagonistas são antes homens de leitura que homens de ação etc), mas também ao seu formato - em meio à procissão de filmes com câmeras epiléticas, efeitos visuais elaborados, cues previsíveis da trilha sonora e estruturas reconhecíveis em 3 atos (protagonista toma conhecimento do horror/horror horroriza/horror é derrotado-mas-dá-piscadinha-de-olho), "The Call of Cthulhu" deve ser um pequeno choque, com seus atores com maquiagem pesada de teatro, utilizando as expressões exageradas da época do cinema mudo, e seguindo à risca a estrutura narrativa do conto de Lovecraft (protagonista toma conhecimento do horror/protagonista aprende mais sobre o horror/protagonista aprende ainda mais sobre o horror/protagonista enlouquece). Deve ser uma experiência bem interessante.
P.S.: A HPLHS também lançou um CD no formato das antigas radionovelas (das quais "A Guerra dos Mundos" narrada por Orson Welles é um dos exemplos mais famosos), contando a história de outro conto de Lovecraft bastante querido pelos fãs, o "At The Mountains of Madness". Eu ouvi e não posso recomendar o suficiente. Os comentários aqui não estão funcionando, então se alguém quiser, uhm... saber mais a respeito: eltonmesquita at gmail ponto com.




